sexta-feira, 29 de maio de 2015

Saber quem somos



Por muitas frases inspiradoras que leia e quadrinhos lindos que me apareçam no Pinterest, a verdade é que continuo a dar importância ao que os outros pensam de mim, tanto aqueles que me são próximos como os que não acrescentam nada à minha vida.
Gostava de ser diferente, de me borrifar para as opiniões alheias, de saber (sempre) quem sou, como sou de verdade e de relativizar aquilo que realmente não interessa.
Mas a verdade é que continuo a ser um frasquinho de cheiro quando alguém aponta ou salienta uma coisa que me incomoda, quando me dizem que tenho olheiras e papos ou, ultimamente, que estou magrinha.
Já me perguntaram se estou doente!
E o que é que eu fiz? Fui à médica pedir análises, porque isto nunca se sabe.

Curiosamente, quando me dizem que estou gira, que estou bem, que a minha barriga quase desapareceu por completo, que o cabelo é bonito, que não parece que tenho 40 anos, não sinto nada; não sinto vaidade, não fico com o ego lá em cima; parece que as palavras boas, os elogios não penetram nesta minha insegurança, mas as críticas... basta uma palavrinha e já fico a pensar naquilo o dia inteiro.
Tenho de mudar isto. É cansativo.
Sinto-me bem por fora, mas às vezes fico cheia de tremores por dentro.

E entretanto se fosse pessoa de rezar, já tinha ido um terço para as análises virem boas.



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quarta-feira, 27 de maio de 2015

É melhor não pensar...




Hoje ia a passar no centro e cruzei-me com um senhor muito entretido a falar sozinho. Ainda olhei duas vezes para ver se levava um daqueles auriculares muito em voga na viragem do século, mas não, não levava nada na orelha e nem tinha ar de quem tem sequer este tipo de gadgets. O que tinha era um olhar um bocadinho lunático e fiquei a pensar que este é um dos meus maiores medos: perder o juízo. É muito engraçado dizermos na brincadeira que somos doidos, uns grandes malucos e que de médico e de louco todos temos um pouco... Mas perder as capacidades intelectuais, perder o controlo do que vai dentro da nossa cabeça enquanto o corpo continua aparentemente saudável deve ser das piores coisas da vida. Vivermos com um pensamento que não dominamos, mergulhados numa realidade que é tão distinta da dos outros assusta-me muito. Perder o domínio do corpo quando a mente está lúcida e viva não há de ser muito melhor, mas se tivesse de escolher julgo que escolhia manter a cabeça no lugar, as faculdades mentais, emocionais e intelectuais de que tenho consciência. 
Sei que não podemos viver com medo, mas quando penso nestas cenas fico aterrada. E triste.


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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Mandei-lhe um beijinho também!


Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva)

Vinha ali na rua e ao passar em frente a um prédio grande, daqueles com muitas varandas, comecei a ouvir assobios e beijinhos repenicados. Não liguei, obviamente, que mulher séria não tem ouvidos!
Os beijinhos continuaram, assim como os assobios.
Quando já me estava a chegar a pimenta ao nariz e me preparava para olhar, espetar o dedo do meio e murmurar um "asshole!", vi que afinal o meu admirador era... Um papagaio!
Claramente bem ensinado e com bom gosto!!

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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Máscaras



Não sei bem onde fui buscar esta ideia e deve ser cá coisa da minha cabeça, mas nos raros dias em que saio de casa sem um bocadinho de corretor de olheiras e rímel nas pestanas, sinto-me absolutamente nua e com cara de enterro. Feinha, mas feinha.
Basta pôr os creminhos no rosto e a mistela nas pestanas para me sentir fresca e muito mais bonita.
Tenho a certeza de que a diferença é mais notória aos meus olhos, talvez para as outras pessoas tanto dê assim como assado, mas estas coisas  são uma muleta de confiança para mim.
E isto já é assim desde os 15 ou 16 anos.
Pode ser vaidade, pode ser formatação ou só uma mania, mas é um bocadinho parvo e ridículo. Porque eu sou eu na mesma...

Sou é mais eu quando tenho rímel e corretor!

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