segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ternura

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Podia dizer que sou emotiva, que é uma palavra bonita, mas a verdade é que sou piegas, muito piegas. Sou de lágrima fácil, qualquer coisa me comove. Uma música, uma frase, um poema, um filme, até os anúncios do Skip, valha-me Deus. 
Mas nada, nada neste mundo me comove mais do que a ternura, as demonstrações de ternura. 
Estremeço de emoção quando vejo a bondade e generosidade dos gestos de ternura.
Há poucos sentimentos mais nobres e mais completos do que a ternura.
Às vezes basta um «Anda cá», um «Vai passar» ou um abraço mudo. 

Até a palavra é bonita: ternura.

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Work in progress


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O ser humano não é perfeito, nenhum de nós é uma obra acabada e gosto de pensar que sou um trabalho em progresso, alguém sempre disposto a aprender, a ser melhor, a fazer melhor. Tenho normalmente muita pena daquelas pessoas que acham que já não precisam de aprender nada, de melhorar nada, que chegaram a um ponto da vida em que estagnaram simplesmente e ainda acham que isso é bom. Porque dá menos trabalho. Pode dar, mas também deve ser cá um tédio!
Todos os anos vou procurando estabelecer alguns objetivos, metas que quero atingir - não necessariamente no espaço de um ano, que por norma sou ambiciosa e as coisas a que me disponho demoram o seu tempo (menos no caso do objetivo de aprender a gostar de manga, que demorou aí um mês a alcançar, e que foi lindo de se ver!).
Ultimamente tenho pensado - e sentido - que gostava de me ver livre desta imensa e absurda insegurança que me assalta em tantos aspetos da minha vida. 
Sei o que sou, do que sou capaz, gosto muito de mim. (Estou como o outro, Eu amo-me, adoro-me, já não posso mais viver sem mim!) Mas mesmo assim, às vezes, muitas vezes, demasiadas vazes, sinto-me engolida por uma insegurança que não sei bem de onde vem, que me faz pensar em problemas que não existem, sentir um aperto no peito que não precisa de estar lá e duvidar de tudo o que tenho de bom e valioso. Questiono tudo, o meu valor enquanto pessoa, mulher, enquanto filha, profissional e amiga; tudo, vai tudo na mesma enxurrada. 
E quero que isto mude.

Num dos primeiros livros que traduzi, li uma frase cuja noção me ficou cravada na memória e que dizia que o mundo acredita naquilo que lhe dizemos, no que transmitimos; as pessoas vêem-nos pela forma como nos mostramos. 
Sou alegre, descontraída e bondosa, um bocadinho idiota e leve, simples, de convivência fácil. Acredito muito nos outros, sempre, na bondade das pessoas, na beleza da natureza humana e isso faz de mim um bocadinho ingénua também. E acho que é assim que o mundo me vê. Ou pelo menos quem me conhece melhor. É capaz de haver também quem me ache chata, convencida, mimada ou egoísta, mas não é isso que me incomoda. 
Não é nada disto que quero mudar.
Quero mudar, quero resolver as vozes fininhas que estão por baixo da alegria, da patetice, da boa disposição, que me fazem questionar tudo, que cá no fundo me dizem tantas vezes «Estavas bem era quieta e calada». 

Preciso de afinar os detalhes, de pensar muito (às vezes também acho que penso de mais, mas isso fica para outro ano!), preciso de ver como resolver isto, como me aceitar melhor, como me sentir mais segura e principalmente, como me borrifar para o que os outros pensam.

Porque nesta altura da vida, já não devia ter importância. 

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sábado, 26 de novembro de 2016

O Labirinto dos Espíritos

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Desde miúda que tenho livros. 
Um dos primeiros livros de que me lembro era um livro da selva, daqueles desdobráveis, com patilhas que se puxavam para os animais abrirem a boca ou os olhos, com ramos de árvores que abriam quando virávamos a página, com muitas cores e um mundo de aventuras. Depois tive um do Peter Pan que era do mesmo estilo e que me lembro de folhear até as páginas ficarem quebradas.

Entretanto, comecei a ler livros «a sério», sem bonecos, com 12 anos. Faço anos em pleno verão e a minha tia deu-me dois livros de uma série de mistério e aventura (para crianças, evidentemente, que não comecei logo pela Agatha Christie!) e julgo que ela deve ter achado que aqueles dois livros me davam para o resto do verão. Acho que me duraram duas semanas!
Lembro-me muito bem desse verão porque foi quando me apercebi que ler livros é viajar sem sair do sítio, viver vidas que não são nossas e sonhar quando se está acordado. 

Nos anos seguintes, devorei todos os livros das minhas vizinhas - até aquelas xaropadas da Júlia, da Bianca e da Cassandra, ou seja, todos os romances de cordel a que consegui deitar a unha - da biblioteca itinerante aos empréstimos de amigos, li tudo o que me aparecia à frente. Os da Enid Blyton? Não me escapou um!

Comecei a ler e nunca mais parei.
Agora sim, Agatha Christie, Konsalik, Camilo Castelo Branco, Arthur Conan Doyle, Morris West, lia tudo o que encontrava, até os contos do Reader's Digest! 
Tentei ler Saramago, mas não consegui. Tentei Garcia Marques, mas não gostei (um dia destes volto a tentar, porque acredito mesmo que nem sempre estamos preparados para os livros que encontramos). Li O Nome da Rosa, de Humberto Eco, e senti que me ia dar um abafo de emoção. Que livro perfeito! 
Lia também tudo o que havia na lista de livros de Português, na escola, e li o Amor de Perdição duas vezes, com uma semana de intervalo tal foi a paixão assolapada que aquele livro me fez sentir! 

Às vezes tinha vergonha de dizer que o meu passatempo favorito era ler, que passava os fins de semana inteirinhos agarrada aos livros, que a minha mãe ralhava comigo porque não fazia literalmente mais nada a não ser ler! Haviam de pensar que era uma mosca morta que não sabia fazer mais nada! (Uma pessoa quando é novinha preocupa-se com o que os outros pensam de nós, o que querem?!) Saber, sabia, só tinha era coisas mais importantes para fazer! Ler.

Depois vim para a universidade e comecei a ler Tolkien, e coisas de gente crescida (mas não só, porque li toda a saga do Harry Potter com tanto fervor que a partir do segundo volume comecei a ler em inglês, porque não conseguia esperar pela tradução!).

Daí a Ken Follett, Stieg Larsson, Haruki Murakami, Jonathan Franzen, Camilla Lackberg, John Green e muitos, muitos outros foi um tirinho. 

Como também trabalho com literatura (o que mais poderia ser na vida senão tradutora literária?!) de vez em quando descubro pérolas que tenho a imensa honra de tirar da concha, para as oferecer aos leitores portugueses! Habituei-me desde muito cedo a ler em inglês, mas também trabalho em castelhano e já li muitos livros no original espanhol.

Depois, corria o ano do Senhor de 2012, conheci o meu amor maior, o meu literary crush! 
Carlos Ruiz Zafón.
Seguidinho de perto pelo Murakami e pelo Follett, é o meu autor favorito.

Li A Sombra do Vento num misto de espanto e emoção, com alguma incredulidade, porque não sabia que era possível escrever um livro tão perfeito. E a tradução! Acabei de o ler quando estava em Palma de Maiorca e fiquei feita parola na areia, a choramingar porque aquele livro era perfeito e estava imaculadamente traduzido! Disse ao Nuno que o meu sonho era saber traduzir assim! E ainda é.
Por isso, quando saíram os dois livros seguintes, voltei a comprar a edição portuguesa e fiz o mesmo hoje, ao comprar o último volume da tetralogia de O Cemitério dos Livros Esquecidos. 

Ainda não o li (francamente, não sei como é que me aguentei a tarde toda) porque estou a traduzir um livro maravilhoso que quero entregar no início da semana e que merece todo o meu tempo, atenção e dedicação. Não quero ler duas páginas de Zafón e depois estar a pensar nele quando estiver a traduzir! Porque já sei que é isso que vai acontecer.
Quando li A Queda dos Gigantes, do Ken Follett, tive de «meter uns dias de férias» porque não conseguia pensar em mais nada! E o meu trabalho não merece isso, porque, lá está, o meu trabalho são os livros! Mais vale parar dois ou três dias, ler e depois seguir com a vida! (São as vantagens de se ser freelance!) 

Por enquanto, O Labirinto dos Espíritos vai funcionar como a minha cenoura, a meta que quero atingir. Quando puder finalmente sentar-me a ler, significa que já acabei este livro em que estou a trabalhar, que me tem aquecido o coração, que me tem feito rir e chorar como nunca e que não sendo um Zafón é uma história linda de morrer, cheia de emoção e ternura.

Vamos lá então a despachar! 
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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Já escrevi sobre isto

Living in the moment truly does create happiness and contentment. Got to remember this since it seems I live for Friday.:

Isto deve ser uma coisa cá minha, porque não tenho horários tradicionais como a maior parte das pessoas e às vezes o meu fim de semana é a quarta e à quinta, mas não sei explicar bem o que sinto quando vejo as pessoas (quase) todas a glorificarem a sexta feira como se fosse o único dia da semana por que vale a pena esperar, como se não valesse a pena viver nenhum dos desgraçados quatro que estão entre o domingo e a sexta, como se o vinho, a comida, as pessoas e a vida só soubessem bem à sexta, não porque é sexta que ainda é dia de trabalho, mas porque é véspera de sábado. Ou seja, nem é pela pobre da sexta que as pessoas esperam, é pelo que ela representa, pela antecipação do fim de semana, que tenho cá para mim que deixa de ser bom e agradável a partir do almoço de domingo, não porque o almoço não seja bom, mas porque - horror dos horrores - no dia seguinte é segunda, esse demónio em forma de dia. 
Tenho pena que não se consiga viver os dias todos com a mesma alegria, com a consciência de que também há vida a uma segunda feira e pode ser muito boa. Ir para o trabalho a uma segunda parece uma maldição, quando na verdade é uma bênção, porque aposto que há muita gente que queria sair de manhã para ir trabalhar e não tem onde.
Parece que durante o resto da semana tudo é mau, negro e desgraçado, ninguém gosta de ninguém, ninguém tem paciência para nada, toda a gente respira em piloto automático para depois chegar a sexta feira e - Ahhh, até se ouvem os violinos a tocar. O céu fica mais azul, mesmo que esteja a chover, a comida tem outro sabor, mesmo que seja o resto do jantar de quinta e a vida volta a ser (temporariamente) bela. Acho triste que se espere sempre por determinadas alturas, dias ou épocas e se sobreviva simplesmente durante os tempos de espera. São oportunidades perdidas. São bênçãos ignoradas, desdenhadas. 
Não me importava de ter mais fins de semana livres, seria mais fácil acompanhar amigos e família, mas também não me importo de ter um ritmo diferente, que me faz adorar as segundas feiras, esperar com ansiedade pela terça e quarta em que estaremos de folga, porque assim acolho todos os dias com a mesma alegria e esperança, com a possibilidade que todos trazem, como o milagre que verdadeiramente são. Não ponho em suspenso a vida durante um punhado de dias para quase renascer só porque é sexta feira. 
É muito redutor. 
Prefiro acreditar que vou retirando o melhor de todos os dias. Mesmo das segundas!


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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Dias bons!


Inspirational Girls Bedroom Print Typography Art Wall Poster Office Decor:

E depois às vezes chove lá fora, o dia está escuro, triste e taciturno e tenho umas dores de cabeça e de barriga estranhas, mas porque estou tão feliz que o corpo nem sabe bem como reagir.

Deve ser assim que os planetas se alinham. Com solavancos, recuos e saltos para a frente.

A felicidade também dói.
É é uma dor boa!

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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Lovely Autumn

View from the Bom Jesus do Monte #Church #Braga #Portugal:

Sendo que não sou muito uma pessoa de manhãs, é muito giro vir placidamente para o trabalho quando está sol e as ervas ainda estão cheias de geada da noite. Tenho panca pelas gotas de orvalho, são como pequenos mundos líquidos, cheios de brilho e luz! Gosto de ver as folhas geladas a derreter à medida que o sol as alcança. Gosto de ver os pedaços nas sombras, ainda cobertos de gelo.
Gosto de frio.
Demoro 12/13 minutos a chegar de casa ao cowork e aproveito esse tempo para respirar fundo e acordar de vez. Cruzo-me com as velhotas a varrer os quintais e os passeios, os velhotes a passear os canitos e as mães mais jovens que vão levar os meninos à escola. 
Hoje cruzei-me com a carrinha de um padeiro e voltei à infância, àquelas manhãs de frio em que ia para a escola a pé enquanto o mundo acordava.

Esta terra é muito gira quando não chove!

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Por tudo e mais alguma coisa.




Enfim, não vale muito a pena falar dos porquês, dos porque sim, dos porque não, não vale a pena debater.
Tenho de tomar uma atitude de uma vez por todas.
Tenho de ser crescidinha e corajosa. 
Tenho de fazer o que é mais difícil, sob pena de vir a arcar com as consequências: agora e no futuro.
Vai ser difícil, vai ser tortuoso e não digo que nunca vou fraquejar. Certamente vou.
Vou ceder, vou capitular, vou deixar-me vencer.
E também não pode ser nada demasiado radical, senão enlouqueço. 
Ando nisto há muitos anos, já se tornou parte de mim e também não o consigo arrancar de mim assim, de um dia para o outro.

Mas não vale a pena mascarar a verdade. 
Não vale a pena ignorar os sinais.
Já chega.
Já me fez mal suficiente; continua a fazer.

Por isso chegou a hora.
Por muito que me custe, e custa, vou ter de deixar de comer doces.
(Inserir mega suspiro - de ar, não de suspiro, suspiro!!)

Vou tentar comer um docinho só ao fim de semana, se tiver de ser, mas não posso comer gelados, bolos, mousses, mais bolos, mais pudins, mais gelados, mais bolachas, mais chocolates,. mais sei lá o quê TODOS OS DIAS!

Fico mal disposta, enjoada, fico com dores de cabeça, enfartada, e diz que até faz mal às articulações.
As minhas articulações já estão mal o suficiente sem as estar a entupir de açúcares vários!

Estou farta de andar mal por ser gulosa, por ser caprichosa com os doces.
A sério.

Desejem-me sorte.
Bem vou precisar. 

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sábado, 12 de novembro de 2016

As we are

10 Inspiring Quotes That Will Make You Want To Travel The World (Part IV) - 99TravelTips99TravelTips:

Li há tempos um texto muito interessante sobre como ultrapassar a tristeza e enterrar acontecimentos passados que causaram mágoa, para que não nos atormentassem o presente nem hipotecassem o futuro.
Pode parecer uma leitura triste e desalentada, mas não, era um texto cheio de esperança, sem julgamentos de valor, que reconhecia que por vezes é difícil esquecer as coisas que nos magoaram, mesmo quando queremos muito, muito, avançar com a vida.
Já não me lembro de tudo, mas havia uma parte que me tocou particularmente porque dizia que as pessoas muitas vezes se iludem ao pensar que para esquecer as coisas não devem pensar muito nelas, que não devem dar-lhes importância, que o melhor é enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que não se vê nada.
Só que quando se faz isso, a mágoa em vez de ser canalizada cá para fora ganha raízes dentro das pessoas, o que é ainda pior. Demora mais tempo a resolver. 
Por isso, o melhor caminho é reconhecer as coisas que nos magoaram, pensar nelas, interpretá-las, colocá-las em perspetiva. 
Quando já não houver nada de novo para analisar, quando já andarmos à roda das mesmas coisas, aí sim, começa a fase de arrumar as ideias, os sentimentos (que entretanto saberemos categorizar e racionalizar) e avançar com a vida, sabendo que neste mundo ninguém é perfeito e todos temos as nossas particularidades. 
O texto também falava sobre como interpretamos os acontecimentos de acordo com aquilo que somos e numa das imagens que ilustrava o artigo havia um quadrinho que dizia: We don't see things as they are, we see things as we are. 
E isto ficou-me na cabeça.

Não vemos as coisas como elas são, vemo-las de acordo com o somos... 


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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Oblivion*

~The Kings Road, Ireland~ - I think of yea though I walk through the valley of the shadow of death, I shall fear no evil, for thou art with me:


Às vezes há pontos de viragem na vida das pessoas. 
Não sei bem como fundamentar esta crença porque é uma coisa que vem cá de dentro e que não consigo explicar de outra forma, mas imagino que a vida - todos os aspetos da vida - são como um círculo, uma roda. Não existe necessariamente um início e um fim, mas um contínuo, um círculo infinito - parece uma coisa saída daqueles programas de grandes questões do universo do Discovery Chanel, mas é assim que o imagino. 
Os dias avançam, as coisas mudam, os acontecimentos sucedem-se, mas acho que há alturas em que algum grão de pó entra nas engrenagens e muda o rumo e o ritmo das coisas. 

Acho que por vezes somos nós que sopramos o grão de pó para o mecanismo, outras alguém sopra por nós. 
Por vezes sabemos exatamente o que perturbou o girar eterno das rodas, outras assistimos incrédulos e ignorantes ao movimento - ou contra movimento.
Era bom sabermos sempre como reagir, como encarar e aceitar as mudanças; pensar se vale a pena. Colocar tudo em perspetiva.

Mas somos tão pequeninos, sabemos tão pouco. 
Podemos contar com pouco mais do que a nossa vontade, com o poder das nossas ações, com o desejo e a esperança que nos enchem a alma. 

Alguém dizia que a ignorância era a maior das bênçãos. Não concordo nem um pouco.





* Uma das minhas palavras favoritas de sempre, de todas as línguas que conheço.
Oblivion (ə-blĭv′ē-ən) -  The act or an instance of forgetting; total forgetfulness: She sought the great oblivion of sleep.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Kill them with kindness


Happiest pic ever by Earth_Pics || https://twitter.com/Earth_Pics/status/331609366451089408/photo/1:

Nasci numa terra pequenina onde se dizia bom dia e boa tarde a toda a gente que se encontrava na rua (até às velhotas que espreitam à janela) sob pena de irem dizer à nossa mãe que somos umas mal-educadonas!

Gosto de dizer bom dia às pessoas. 
E gosto especialmente quando as pessoas aqui me respondem Bom dia, menina! (Aqui ninguém sabe o meu nome, lá na terra sou a Ana ou "A mais velha da Lela").

Mas também há por terras Bracarenses aquelas velhotas desconfiadas que, não me conhecendo de lado nenhum, nem conhecendo a minha mãe, ficam a olhar para mim incrédulas. Devem achar-me uma ave rara, uma chavala que ninguém conhece e que tem a desfaçatez de andar bem disposta de manhã, enquanto elas cumprem a tarefa du jour, que é invariavelmente varrer o passeio ou lavá-lo à magueirada! 
Ou então têm medo que lhes saque a vassoura ou a mangueira da mão! 
Com estas então sou super simpática, hei-de vencê-las com bondade e educação!

E assim que as conquistar explico-lhes a questão dos recursos hídricos... elas que me aguardem! 

Raça das velhas!
Está a chover, tá?!


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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

I want all the cookies!



Dizer que gosto de doces é aflorar o meu amor pelo açúcar com uma ligeireza admirável!
Gosto muito e já falei disso amiúde!
Gosto de todos e fico um bocadinho triste e desalentada quando vejo aquelas receitas de bolos com whey (chama-se soro de leite caraças!), com curgete, com leite de coco em vez de ovos, enfim, com coisas que nem imagino nem sei o nome, porque não fazem parte da minha despensa!
Embora não me imagine a comer bolos só com claras em castelo, stevia e farinha de aveia ou arroz (blhaarrghh!), há algumas coisas que sou quase forçada a fazer a bem da saúde e distensão abdominal. Como abriu recentemente a época das bolachas lá em casa, digamos que nos últimos dias comi umas quantas...
Pois que uma noite destas estava super mal disposta e com uma pança que quem dera muitas grávidas de seis meses!
Sendo assim, ontem fiz bolachinhas de canela e nozes com farinha integral! Sempre é melhor do que a farinha branca, refinadíssima.
Pensei que iam ficar mais secas, tipo farelo, porque também gamei um bocadinho na manteiga, mas não é que as sacanas das bolachas estão um luxo?!
Prevejo muita fornadas de bolachas integrais e quando um dia destes me der uma travadinha e gastar 3€ num quilo de farinha sem glúten, vai ser a loucura!!
Vou comer um quilo de bolachas!!
Vou fazer todos os bolos, e scones e panquecas e tuditudo!
Vai ser a loucura!

Pumbas!

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

É para aprenderes!


Me, jog?:


Ora bem, já disse várias vezes que apesar de gostar muito de exercício físico e de já ter experimentado quase tudo, não gosto de correr.
Eu não corro, não faço running (a não ser como o outro cujo desporto inevitável é running out of money!! - ai tão bom!!), nada disso. Não gosto de correr, pronto. 

Mas no outro dia cheguei muito cedo ao ginásio, os remos estavam todos ocupados com senhores de ar mauzão e resignei-me a caminhar na passadeira enquanto ouvia uma musiquinha. Pus-me a ouvir o último álbum da Sia e quando começou uma das minhas músicas favoritas - Alive - desatei a correr como uma maluca! Aviso já que para mim que não corro, correr como uma maluca é correr a 9,5km por hora, e já estava com inclinação de 2%!
Pois bem, corri durante a Alive e a Move Your Body, num total de cerca de oito minutos e meio... Depois achei que já era um abuso e parei.
Vamos chamar-lhe insanidade temporária!
A pessoa perde ali um bocadinho o norte, mas depois chega a um ponto em que acaba por ganhar juízo!




...

Como explicar o que senti no dia seguinte? 
Doía-me tudo! Até a raiz dos cabelos! 
As pernas, os tornozelos, os pés, os mindinhos!! As ancas, as costas, TUDO!

Corri oito minutos e no dia a seguir só me apetecia cortar os pulsos. 
Já sei que há quem adore, quem corra todos os dias porque faz bem ao corpo e à cabeça, mas nós não precisamos de gostar todos do mesmo. Não podemos gostar todos do mesmo.
Eu detesto correr! 
E só se aparecer por aí uma invasão de zombies é que me apanham a correr outra vez.

:)


A seguir fui fazer a aula de Body Balance, que foi para isso que fui ao ginásio. E este BodyBalance74 está de morrer! Em bem! 
Assim, sim, vale a pena!


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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Duas constatações e uma dúvida inquietante

Poster Collectives by med ness, via Behance:



Duas constatações:
Vivo em Braga.
Em Braga chove durante 250 dias por ano (num ano bom!)

Uma dúvida inquietante:
Por que raio andam sempre as velhotas a lavar a estrada à mangueirada?

...

Sou pessoa de poupar recursos. Gosto de poupar eletricidade, gás, água. Cá em casa não há luzes acesas desnecessariamente, a temperatura do esquentador está regulada e nem sequer os dentes lavo com água corrente. Lavo a cara e as mãos com água fria porque (o frio conserva e) a água quente demora demasiado tempo a chegar às torneiras e é um desperdício deixar a torneira a correr enquanto espero pelo quentinho. 
É uma mania cá minha, pronto!

Por isso, fico piurça, quase com urticária, às vezes chegam a rebentar-me umas bolhinhas nas meninges quando me cruzo com as velhotas de mangueira em punho a lavar o passeio em frente ao portão de casa, a lavar o próprio do alcatrão, a calçada, as paredes ou os muros do jardim!
Ele é estrada, são paredes, estores, azulejos, VAI TUDO A EITO!!
Porquê, meu deus, porquê?! 

Eu bem olho para elas com a  minha expressão mais fulminante, furiosa e outras coisas começadas por F, mas parece que não intimido ninguém! 
Não percebo!

Não à lavagem desenfreada das estradas e muros da cidade! 
Tarda nada vai chover! Não é preciso.
A sério que não!

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Booklion!

"I think books are like people, in the sense that they'll turn up in your life when you most need them." Truth!:



Hoje estive a atualizar o meu currículo. Tenho a sorte de poder acrescentar de vez em quando mais alguns títulos à lista de livros traduzidos.
Este último ano e meio foi tempo de retemperar forças, de abrandar um pouco o passo, de dar espaço ao corpo e à cuca. Fiz menos livros do que nos anos anteriores, mas para dizer a verdade acho que se não tivesse abrandado teria dado o berro muito em breve. Acho que nos primeiros anos de trabalho exclusivamente dedicado à tradução fiz mais do que devia, não soube dizer não algumas vezes e devia ter dito, achei que podia abusar do corpo, da cabeça e que podia com tudo "Venham eles que dou conta do recado". E dei. Mas esgotei-me um bocadinho. 
Precisei de abrandar e de cuidar também de mim. 
Agora já cuidei, já abrandei, já aprendi a gerir e a respeitar o meu esforço e o tempo. 
Agora estou pronta!
Amo o meu trabalho, nem sei explicar o que sinto quando começo e acabo um livro novo! No meio queixo-me e choramingo como toda a gente, mas o momento em que escrevo na minha folhinha Word as palavras "Capítulo UM" e depois, semanas mais tarde "FIM", invade-me uma sensação de felicidade tão idiota que às vezes até choro. (Coisa que quem me conhece não estranhará, que eu choro com os anúncios do Skip, mas enfim!) 
Vivo para estes dois momentos, para o início e para o fim das minhas traduções. Vivo para os livros.

E há pouco, quando estava atualizar o currículo, contei com o indicador, para não me enganar, os 74 maravilhosos títulos (uns mais maravilhosos do que outros, é certo) que me enchem já três páginas. 
74 livros.
Tantas palavras, tantos capítulos, tantas lágrimas, tantas gargalhadas.
Tanta felicidade!

Bolas!

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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Tempestades e monções!

Amazing Lightning:

Então, desde que me lembro de ser gente que tenho medo de trovões. Gosto imenso de tempestades, de relâmpagos (pelo menos quando estou abrigada e quentinha em casa), mas os trovões assustam-me. Não me sinto confortável com o ribombar, acho sempre que são mais violentos do que os relâmpagos, só porque fazem mais barulho.
Acho que já comentei que como ando muito farta de calor estou a ouvir alguns álbuns de sons da natureza, nomeadamente de chuvas e monções. (Um pequeno aparte: claro que enquanto estou a ouvir a chuva a cair copiosamente me imagino numa maravilhosa casa de pedra e troncos de madeira, com folhagem tropical a toda a volta, o mar lá ao fundo, uma piscina de pedra natural no jardim, vidraças imensas viradas para a paisagem e, do lado de dentro, uma casa quentinha, uma lareira gigante, como a da minha avó, os gatitos ao colo, chão de madeira e o frigorífico cheio de comidinha reconfortante. Não pensavam que me imaginava a trabalhar, pois não?!)

Pois, como eu dizia, agora que ando a ouvir as tempestades tropicais, os trovões são uma presença constante. E não é que não me faz impressão?
Até lhes acho um certo ritmo, alguma graça?
Isto é muito giro, muito bom.
E abafa as vozes todas, os telefonemas, enfim a vida laboral que me rodeia.
O que também não é mau.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Sem ser totó


Do No Harm (But Take No Shit) Decal, Decal Quote, Buddhist Decor, Wall Quotes…:



Acho que há alturas na vida em que conseguimos finalmente olhar para dentro de nós e ver quem somos, sem filtros nem desculpas. Vemos coisas de que gostamos, outras nem por isso. Mas é bom alcançar esta espécie de «clareza». 
É neste ponto que sinto que me encontro agora. Vejo claramente quem sou e o que quero ser. Vejo-me em relação a mim e aos outros. Sei que sou de uma forma quando estou só comigo (ou com o Nuno, que para mim não é pessoa!), e de outra diferente quando estou com os outros.
Sei que tenho muitos defeitos, nenhum extraordinariamente grave ou vergonhoso, mas tenho, são meus e procuro aceitar os que posso e remediar os outros. (Acrescento que não escrevo isto para os meus amigos me virem dizer - Oh, não tens nada, és um amor e nós gostamos de ti assim! Sou de facto um amor, também gosto de mim assim, mas tenho cá as minhas merdas que preferia não ter!)

Agora, partindo deste princípio de que todos são como eu, com os seus defeitos e também com virtudes, que todos somos humanos, todos falhamos (muitas vezes sem querermos falhar), que todos gostávamos de ter uma máquina de viajar no tempo e fazer algumas coisas de forma diferente, o que tenho tentado interiorizar, o que tenho tentado implementar - muitas vezes com um esforço tremendo e um afinco proporcional - é ser bondosa, compreensiva, justa. 
Tenho-me esforçado muito por não fazer juízos de valor, por não «atribuir» sentenças, por não alimentar preconceitos, mesmo que seja apenas dentro de mim, mesmo que não verbalize nada disto. 
Porque se conseguir ser sempre mais bondosa do que é esperado de mim, se conseguir ser sempre mais compreensiva e justa, não só trato melhor os outros como me trato melhor a mim. Sei lá, gosto de dormir descansada sabendo que só não fiz o que não pude. Em todos os aspetos.

Mas às vezes isto tem um custo e aprendi recentemente que preciso também de saber onde é o meu ponto de equilíbrio. Não quero ser velhaca, mas também não quero ser totó.

É esta a minha grande tarefa para os próximos anos: Ser mais bondosa (sem ser totó), ser mais compreensiva (sem ser totó), ser mais justa (já perceberam, sem ser totó). 

Voltamos ao meu mantra preferido: Do no harm, but take no shit.

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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Tudo passa


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Ultimamente tenho tido muitas chatices nos músculos. Não só nos músculos, mas também nos tendões e um bocadinho nas articulações.
Não tenho nenhuma doença, não treino como uma maluca (e o que treino é sempre com o maior respeito e consciência corporal), não ando a fazer nada de especial a não ser... trabalhar. A um ritmo moderado.
Já o disse muitas vezes e continuarei a dizer: amo o meu trabalho, quis muito desde muito nova fazer exatamente o que faço hoje e quando me imaginava a traduzir livros nem sequer sabia que seria tão bonito, emocionante e recompensador. Porque é. 
Em termos intelectuais este trabalho preenche-me por completo. Todos os livros são diferentes (mesmo quando são do mesmo autor), viajo sem sair da cadeira e às vezes até parece que não estou a trabalhar. 
Não quero fazer mais nada da vida (além de ser estupidamente rica! Se fosse escandalosamente rica era capaz de deixar de traduzir, mas como não sou, continuo a fazer o que tanto adoro!). 
Mas em termos físicos, os últimos 12 anos estão a começar a sentir-se. 12 anos a trabalhar a um ritmo um bocadinho parvo, nem sempre com a moderação que tenho tido nos últimos tempos, decididamente não com o respeito pelo corpo que tenho agora. 

Pareço uma velha a falar, a queixar-se das maleitas, mas não é exatamente isso que quero fazer. Quero racionalizar os avisos que o corpo me tem dado; quero reconhecer que as dores existem, que vão existir sempre, mas que posso aprender a viver com elas e quem sabe não as levar tanto a peito. 
Quero aprender a trabalhar de forma mais eficiente; num mundo ideal trabalharia menos horas, mas produziria o mesmo (e já que é para pedir, ganharia melhor!)

As queixinhas podem parecer contraditórias porque a ideia geral é que um freelancer escolhe quando quer trabalhar, quantas horas trabalha por dia, quantas paragens faz durante um dia de trabalho. E não deixa de ser verdade. Existe essa liberdade que a maior parte dos trabalhadores não tem. Mas existem também prazos, ritmos que nem sempre se podem quebrar sob pena de não se conseguir apanhar o comboio durante o resto do dia. Existe o medo de se ficar sem trabalho, se não estivermos sempre disponíveis, se não pudermos respeitar os prazos, se o corpo pedir para parar. 
Há casas para pagar, batatas e cebolas para comprar.

Por isso vamos continuando. Vamos trabalhando devagarinho quando podemos, um pouco mais depressa quando é preciso. Vamos descansando quando tem mesmo de ser.
Vamos pedindo que o trabalho continue a chegar, que depois logo se vê!
E vamos acreditando que tudo passa. Tudo se resolve.

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