sexta-feira, 24 de abril de 2015

... pero que las hay, las hay!





Este mundo é mesmo sinistro!
Ontem estava um bocadinho com a telha, entre outras coisas que não vêm ao caso, por causa de um assunto que já se vem a arrastar há demasiado tempo e que fez com que o meu orgulho profissional e a minha sensação de justiça, assim como a fé na honestidade dos outros, fossem um bocadinho feridos e ficassem abalados.
Duas horas depois de falar disso, duas horas, cento e vinte minutos, eis que surge uma minúscula luz ao fundo do túnel. Podia ser resto da chuva de meteoritos (que não vi), mas isso tinha sido no dia anterior.
É uma centelha de resolução, mais um passo na direção certa.
Continuo de orgulho ferido, triste com a desdita e falta de palavra alheias, mas quem sabe se as coisas não acabam por se resolver?
É daquelas ocasiões em que só consigo visualizar o copo meio cheio, para ver se as energias vão para o sítio certo.

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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Isso



Para mim, a elegância mede-se nas pequenas coisas; nos gestos e posturas que adotamos, nos detalhes de todos os dias, que mesmo que por vezes pareçam pequenos e insignificantes dizem muito sobre quem somos.
A elegância não é mostrar aos outros o que se tem, o que se conseguiu, mesmo que tenha sido por meio de muito esforço. Não é achar que o nosso tempo vale mais que o tempo dos outros, que as coisas que ocupam as nossas vidas são mais importantes, mais relevantes e necessárias do que as que ocupam as vidas dos outros. Não é certamente dizer coisas pela metade, mandar recados nas entrelinhas.
Ser elegante é ser honesto. É sentir uma satisfação plena, interior, pelo que se é, mas não ter necessidade de a exibir. É ter coragem para dizer as coisas como elas são. 
Gostava de ser mais corajosa, mais elegante. 

É isso.

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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Don't judge






Às vezes tenho a noção de que sou injusta, arrogante e que me julgo moralmente superior a algumas pessoas - principalmente em relação às que não conheço e que normalmente encontro aqui pela blogosfera. É certo que há gente que se põe a jeito e que parece não ter filtro, mas mesmo assim...

É fácil julgar os outros e esquecer que as coisas que as pessoas partilham nos blogues não compõem a totalidade das suas vidas, que há muito que fica escondido, guardado, oculto. É fácil esquecer que do outro lado de um texto está uma pessoa com problemas como os nossos, inseguranças como as nossas e com sonhos como aqueles que nos enchem a cabeça.

Ser uma pessoa melhor e não julgar ninguém: mais uma para a lista de - boas - intenções.

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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sete anos

Este é o castelo de Torres Novas, o castelo do meu avô Custódio,
que foi lá jardineiro durante muitos anos 



O dia de ontem, 1 de abril, dia das mentiras, um dia engraçado para muita gente, e o dia de hoje, são dias tristes para mim. Não acho piadinha nenhuma às mentiras que se inventam, às notícias falsas e à generalidade do dia.
Mas nem sempre foi assim.

O meu avô Custódio morreu a 1 de abril de 2008. Foi a enterrar no dia 2. No ano que achei que ia ser o melhor de sempre, porque faço anos a 08/08 e ia ser uma data do caraças. Não foi. Foi um ano terrível.
Às vezes acho que ele ainda está vivo, porque há 20 anos que estou a 300 quilómetros de distância e já não o via com muita frequência. Depois passo ali pela fotografia do hall e cai-me a ficha. Já não está.
Já não tenho avós e guardo as melhores recordações e carinho dos três que conheci, mas o avô Custódio esteve sempre ali na casa em frente, para me dar explicações de matemática e 20 escudos para comprar um bolo, quando eu andava no ciclo. Quando vim para a universidade, dava-me cinco contos para beber uma cerveja, sempre com o mesmo aviso: Bebe uma cerveja, mas não bebas café, que isso é um veneno!

Desculpe lá avô, mas bebo muito mais café do que cerveja!

O avô Custódio não se metia na vida de ninguém, adorava o Nuno e só queria saber se tínhamos trabalho. Então e o trabalhinho, está a correr bem?
Ficou todo orgulhoso quando lhe expliquei o que fazia, Traduzo livros, avô, eles vêm em inglês e eu ponho-os em português. Então mas tu falas inglês? E escreves livros? Não escrevo, traduzo. Oh, é a mesma coisa!

Era um querido, sempre todo janota, perfumado, com o seu alfinete na gravata.
Tenho sempre saudades dele, mas nestes dois dias, ainda mais.

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