segunda-feira, 30 de junho de 2014

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As convenções sociais servem para catalogarmos quase tudo na vida, as coisas, as pessoas, os sentimentos. Não que sejam a única maneira de nos adequarmos à vida moderna, dita civilizada, mas é um bom indicador do que "podemos" e "não podemos" fazer.
Convencionou-se que é feio interromper quem está a falar e provavelmente só o fazemos com maior descontração quando estamos entre amigos.
Convencionou-se que é mais elegante referirmo-nos a alguém como sendo "de raça negra", em vez de lhe chamarmos "preto"; que não devemos dizer mal de alguém nas suas costas; que nos restaurantes os guardanapos de pano devem ir para o colo e que não se diz a uma nova mãe que o seu bebé recém-nascido é feio (a este respeito há uma convenção muito engraçada que diz que todos os bebés são bonitos e lindos e fofinhos... Hmm, não acho verdade).
Mas além de todas estas "normas" politicamente corretas, existem também aquelas que estruturámos dentro de nós.
Por exemplo, para mim, um amigo de verdade não precisa de me ligar todos os dias, de mandar mensagens por tudo e por nada, mas tem de estar disponível quando preciso dele. Sendo que o inverso também acontece. Não falo diariamente com todos os meus amigos, mas se algum deles me ligar e perguntar (como às vezes acontece!) - Tens 5 minutos para me ouvir? - a minha resposta é inequivocamente sim, não importa o que esteja a fazer.

Quando uma amiga de faculdade, alguém que conheci há 20 anos me liga e me diz que temos de nos encontrar para beber um café, para lanchar, porque assim não pode ser, qualquer dia nem nos lembramos dos nomes uma da outra, fico com o coração cheio. Porque é verdade. Porque a conversa flui de um modo tão natural, tão despojado de salamaleques que parece que ainda na semana passada almoçámos juntas!

Depois não consigo deixar de sentir a diferença entre este tipo de amigos, que são de há milénios mas que a vida foi afastando, e outros mais recentes que se "esquecem" de perguntar sequer como estou.
Não são uns melhores do que os outros, as pessoas são diferentes e agem todas de formas distintas, mas cá dentro convencionei que uns são mais próximos e depois esta proximidade nem sempre se verifica.

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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sugar, oh, honey honey!

Sugar skull cookies, $36 for a dozen, from SweetTweetsOnline.
E depois vou ao Pinterest procurar por "Sugar" e apetece-me comer tudo o que aparece nos resultados da pesquisa!!  É uma desgraça!





Leio regularmente algumas revistas e artigos sobre saúde, nutrição e exercício físico.
Retiro muitas dicas boas, fáceis de aplicar, que têm como objetivo final melhorar a alimentação, o bem-estar e a saúde.
Em todas, todas, encontro a demonização dos doces, do açúcar, das coisas mais saborosas desta vida! E pergunto-me, Por que raios tenho eu de ser tão gulosa?! Se pudesse comia doces todos os dias, de manhã, à tarde e à noite. Mas faz mal a tudo, a absolutamente tudo! Chega a um ponto em que já nem é bom para a pinha, porque mesmo que ao comer saiba bem, há sempre aquele grilinho falante que diz - Ai que isto está a alojar-se nas tuas veias, Ai que isso faz tão mal à pele, Ai que estás a dar cabo do fígado, dos rins, do coração, do cérebro!
Aiiii!

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

E se formos suficientes?




Não sei se foi sempre assim, mas parece que vivemos numa era em que todos queremos ser perfeitos. Principalmente as mulheres.
Instigadas talvez pela publicidade, que nos pressiona para que sejamos todas iguais, com medidas e pesos "aceitáveis", pele lisa e lustrosa e com corpos photoshopados em tempo real, andamos todas numa perseguição absurda para caber na imagem que insistem em enfiar-nos pelos olhos adentro.
Instigadas pelas exigências da igualdade entre os sexos no que diz respeito ao mundo do trabalho, andamos todas a tentar fazer mais para termos o mesmo reconhecimento. Ou nem isso.
E para quem tem filhos as coisas são ainda mais complicadas. Presume-se que uma mulher consegue fazer tudo, ser bem sucedida em tudo, ter tempo, disponibilidade e vontade para tudo.
Caramba!
E se aquilo que conseguimos ir fazendo for de facto o melhor que podemos fazer? E se não chegar para tudo for realmente o nosso melhor?
E se o corpo que temos, os quilos que temos a mais ou a menos, as rugas e borbulhas e estrias que o marcam forem como realmente somos? Como vamos ser? Mesmo com todos os cuidados - que sou uma forte apologista de cuidados com a alimentação, com o exercício físico e com a beleza, não só pela beleza, mas principalmente pelo nosso bem-estar, pela saúde - e se mesmo com todos esses cuidados sensatos, a nossa pele não for tão lustrosa como a pele das meninas dos anúncios, a nossa barriga não for tão lisa e as coxas não forem tão esguias e tonificadas? Somos menos por isso?

E agora personalizando a coisa: Mesmo com todo o esforço que faço para produzir não sei quantas mil palavras por dia, quando chego ao fim do dia e só consegui fazer metade, isso faz de mim um fracasso? Faz de mim uma profissional menos boa?
Ou será este o meu melhor, apesar de não ser o que tinha idealizado? Apesar de não ser o que queria, mas sendo o que posso fazer sem me matar?

Quando vamos perceber que se calhar já chegámos lá?
Que o nosso melhor é real, adaptado a cada uma de nós, à nossa força, à nossa vida e não é uma noção generalista incentivada pelos padrões pré definidos que surgem em revistas ideologicamente formatadas e digitalmente tratadas?

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