segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

And I love his craziness too!




Sem estar para aqui a fazer grandes apologias do ano que passou, e que teve coisas muito boas, outras menos boas e outras más, quero deixar aqui registado - afinal isto é o meu bloco de notas - uma frase deliciosa que me fez rir, que me encheu o coração e me deixou com um sorriso de orelha a orelha.

I love your craziness!

Não quero nunca esquecer-me disto, porque é a prova de que há sempre uma pessoa certa para cada um de nós. Às vezes podemos bater com a cabeça nas paredes, podemos achar que não há quem nos ame, quem nos aguente as pancas, mas aqui estou eu a contrariar o fatalismo de quem se acha difícil de mais para encontrar a sua outra metade!
Eu tive a monumental sorte de encontrar quem goste de mim como sou. Com loucura pelo meio de todas as coisas boas e más que me compõem. Muita loucura, muita parolice, muitas gargalhadas e muitas lágrimas.

But he loves my craziness!!

Feliz 2014, gente louca que me lê!

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Love thy self...



Há muitas coisas que gostava de melhorar em mim.
Gosto do fundamental de quem sou, sinto-me bem na minha pele, mas acho que tenho arestas a limar, coisas que posso melhorar, mais para meu bem do que para o bem dos outros.

Penso muitas vezes, por exemplo, que tenho de melhorar a gestão do meu tempo, para trabalhar de maneira mais eficiente sem me desgastar tanto, para poder dar tréguas ao corpo que, desgraçado, aguenta com tudo, desde as longas horas na mesma posição (e muitas vezes uma posição incorreta), até às coisas que como e que em alturas de muito trabalho estão longe de serem o ideal.
Mas esta gestão de tempo tem de ser feita gradualmente; trabalho sozinha, ao meu ritmo, há muitos anos e fui ganhando mil vícios difíceis de abandonar.

O que eu gostava de fazer mesmo num futuro mais imediato, o que queria mesmo mudar em mim, tem que ver com as expectativas que deposito nas outras pessoas. Eu espero de mais dos outros. Espero sempre receber na medida em que dou. Quando isto não acontece, o que é frequente, custa-me. E parece que não aprendo. É que não aprendo mesmo.

Tenho de ser mais dura, mais fria, tenho de começar a ser mais minha amiga.
Ainda tenho alguns dias para amadurecer esta ideia, mas vai ser o meu objetivo para o ano que aí vem:

Vou pensar mais em mim, vou ser mais minha amiga.

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz Natal!!




Eu adoro o Natal.
Gosto da macacada toda de fazer a árvore e enfeitar os móveis, as janelas, de colocar as velas espalhadas por todo o lado, gosto das tradições que fui criando na minha casa (é giro que quando se está em casa dos pais, vai-se um bocadinho a reboque daquilo que eles fazem, das tradições que criaram ao longo do tempo, na nossa, embora algumas coisas transitem, temos a oportunidade de fazer as coisas à nossa maneira, de criar a nossa própria magia!), gosto de comprar presentes, e de os fazer também. No dia 6 de dezembro começo a ouvir músicas de Natal, mudo o toque do telemóvel - este ano é o Jingle Bells! - e ando genuinamente mais feliz, por ser Natal.

Não me sinto mais generosa nesta altura do ano, nem trato as pessoas com maior benevolência. Nessa hipocrisia não acredito. Há é mais pessoas a pedir à porta das lojas, mais campanhas de solidariedade e uma consciencialização social maior, que na verdade devia durar todo o ano.
Continuo a fazer jantares e almoços de amigos com troca de prendas e cada vez gosto mais; gosto de ir vendo que o tempo passa e que não deixamos de nos encontrar, de nos importarmos uns com os outros. Gosto de ver os meus amigos mais crescidos, com filhos, com barbas grisalhas, com trabalho (às vezes muito, de mais!) e ver que estão bem, que continuam parvos como sempre, que continuamos a rir-nos em conjunto, que continuamos nós e nossos.

Há muitas coisas de que gosto nesta época. A única coisa de que não gosto é da noite de 23 para 24... hoje.
Vou ficar sozinha, como tenho ficado nos últimos anos. E é difícil dormir sabendo que o Nuno está a trabalhar toda a noite e que amanhã tem de pegar no carro para vir para casa. Isto sim, é pouco natalício para mim. Não gosto de dormir sozinha, tenho medo dos espirros do vizinho, tenho medo da viagem do Nuno, tenho medo de tudo e de nada.
Mas é só uma noite, e passa num instante...

Depois... Bem, depois É NATAL!!

Feliz Natal!

:)

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sábado, 14 de dezembro de 2013

Ainda Não Parei de Sorrir!



Sexta-feira. Dez da noite. Ainda tanto trabalho pela frente.
Alguém fala em cupcakes  e respondo, matava por um cupcake!

De repente, é como se não me apetecesse mais nada no mundo; já toda a gente sabe que se pudesse só comia doces, que no dia em que disserem que os doces são as novas proteínas, ou os novos vegetais, serei uma mulher mais feliz, mas enfim, são dez da noite, estou sozinha e até tenho ali bolachas acabadinhas de fazer.
Uma hora depois, tocaram-me à campainha e quando fui ver quem era, vi uma caixa roxa e cor de rosa que, a não ser que o destino me quisesse pregar uma grande partida, trazia um bolinho lá dentro.

Já falei disto muitas vezes e provavelmente vou continuar a falar, mas os gestos de bondade, de simpatia, de carinho que me dedicam deixam-me de coração cheio, quase comovida (pfft, quase!) e frequentemente na dúvida se os mereço.

Há muitas características que definem quem somos enquanto seres humanos, mas para mim, a bondade é dos traços mais nobres que alguém pode ter.
Soube-me bem o cupcake, red velvet, o meu favorito!, mas soube-me melhor a companhia, e sobretudo a intenção, o gesto.

:)


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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Tonta!

Quando era miúda, achava que o expoente máximo da idade adulta era poder comer o que me apetecesse. Os meus pais obrigavam-me a comer sopa, peixe e alface, coisas de que não gostava muito e como era um castigo para comer, destinaram-me o lugar à mesa que ficava de costas para a televisão (ainda hoje é esse o meu lugar quando vou a casa!).
Depois saí de casa e passei a comer tudo o que me dava vontade. Tive a fase em que só comia arroz com salsichas, depois a fase dos hambúrgueres, e comia o que havia na cantina da universidade!
Desforrava-me nos fins de semana em que ficava sozinha. Ia ao Feira-Nova comprar chocolate, Pringles, Tiras de Milho, Bolachas com recheio de baunilha, enfim, tudo coisas que faziam bem! Em certo fim de semana, estava assim um bocadinho para o augada e fiz um pudim de gelatina que comi inteirinho, do princípio ao fim, num sábado à noite! Claro que passei o domingo na casa de banho agarrada à barriga!

Entretanto fui crescendo (em mais do que um sentido, diga-se a bem da verdade!!) e comecei a comer com mais cuidado. Isto com a idade o paladar diz que evolui e hoje em dia como sopa todas as semanas, adoro peixe e, embora ainda não morra de amores por alface, como imensa quando o tempo está mais quente. Tenho tentado controlar os doces, não como fritos, e corto o que posso nos hidratos.

Pois... os hidratos...

Acho que hoje comi hidratos de carbono para o resto do mês e quem sabe para janeiro do ano que vem!
Senão vejamos: comi pão branco e umas bolachinhas de manteiga ao pequeno-almoço. Almocei na Pizza Hut e partilhei uma pizza média com uma amiga. Lanchei arroz doce. Antes do jantar comi umas tostinhas com queijo Roquefor. Jantei um hambúrguer com uma batata doce, com sementes de sésamo e canela.
E ainda sou gaja para beber um leitinho e comer mais umas bolachinhas de manteiga antes de ir para a cama - para a sossega!

Hã?! Que tal?
Nada como ser adulta e tomar decisões nutricionais acertadas!!
Tonta!

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Happy B-day (ou de como hoje estou um bocadinho cínica...)




Bem, só queria dizer que hoje o Manoel de Oliveira faz 105 anos e, embora ache maravilhoso alguém chegar a esta idade com a lucidez e genica que ele tem - quem me dera a mim - nunca gostei dos filmes dele. Vi alguns até ao fim, mais por teimosia do que outra coisa, na esperança de achar neles algum sentido ou arte e não consegui!
E digo isto porque um dia destes o senhor fina-se - a bem dizer já não vai para novo - e quero antecipar-me aos previsíveis textos elogiosos e tristinhos porque o mundo da arte em particular e o resto do universo em geral ficaram mais pobres. Ficam. O senhor é claramente um visionário e a sua obra não está ao alcance da minha pobre e embrutecida mente!
Acho-lhe piada enquanto velhinho fofinho, mas não gosto do trabalho dele.
Provavelmente não serei a única, mas aposto que a legião de fãs vai sofrer um aumento exponencial quando o senhor se for.
É sempre assim.

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cecília




Estava aqui a ouvir uma música da Katty Perry que diz qualquer coisa como "You are like an angel" e pensei que este ano há uma série de anjos a mais.

Nunca fui muito de matutar nas questões da morte, da vida para lá dela, se existe ou não, se faz sentido ou não, mas sempre ouvi dizer que quando uma pessoa morre, é um anjo mais que fica a velar por quem a amava. Desde pequena que esta teoria me conforta muito, por muito incongruente que seja com a minha visão da religião; sou como toda a gente, cheia de contradições e incongruências.

Ainda a música ia a meio quando li a mensagem da Melissa a dizer que a Cecília morreu. A Cecília é prima da Melissa, era pequenina e andou a tentar fintar uma doença absurda durante muito tempo. Como tantas outras ironias e injustiças deste mundo de merda, desta vez a Cecília ganhou um lugar noutro mundo, e a partir de agora vou pensar nela como mais um anjo.

É neste ponto que me revolto, que vou buscar todas as críticas e mais uma ao Deus, ou sei lá a quem, que manda nisto. Quando me conseguirem explicar o propósito de um Deus que deixa morrer crianças, que deixa arrastar o sofrimento, que deixa viver gente reles e má, para levar crianças; quando me conseguirem explicar isto de uma forma lógica e coerente, sem lirismos, nesse dia sou capaz de acreditar que esta coisa que se construiu à volta de um mito e que pretende justificar tudo o que acontece na vida faz algum sentido.

Até esse dia chegar, revolta-me saber que há
crianças doentes, a morrer, a partir cedo de mais, ainda que seja para ganhar asas.

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

:)



Eu sou um bocadinho despassarada, ando frequentemente no mundo da lua e sou daquelas pessoas que passa ao lado de alguém conhecido e faz figuras tristes porque não os cumprimenta, não porque seja antipática, mas porque não os vejo. Sou sempre a última a perceber quem anda com quem, que falou de quem, quem está zangado com quem... Enfim, passa-me ao lado.
Também guardo pacotes de açúcar no frigorífico, tachos lavados no forno e outros que tais. Um dia até cheguei a bater de frente num poste de electricidade, no meio da rua, porque simplesmente não o vi!
Mas ontem, bem, ontem atingi um novo nível de tolice, que me (nos) valeu as maiores gargalhadas dos últimos tempos.
Fui à farmácia comprar cenas e o Nuno parou o carro em frente à porta. Fiz o que tinha a fazer e quando saí, um bocadinho ensimesmada porque não havia a pomada de arnica que queria, dirigi-me ao carro, tentei abri-lo e, como estava fechado, bati no vidro, enquanto pensava "Olha, trancou o carro porquê?"
Pois...
Não era o nosso carro e o senhor que estava lá dentro não era definitivamente o Nuno!
Coitado, estava com o telemóvel na mão e assustou-se de tal maneira com uma maluca a tentar entrar-lhe pelo carro adentro e a bater-lhe no vidro que ia deixando cair o telefone.
E eu só depois de bater no vidro, como quem diz "Anda lá, abre-me o carro que cá fora está frio, porra!", é que me apercebi que aquele carro não era meu. Disse-lhe "Oh, desculpe!" e fui-me embora à velocidade da luz.
Entretanto, um bocadinho à frente, o Nuno olhava para trás, incrédulo a pensar "Mas onde é que ela vai?" e quando entrei no carro já ele se ria a bandeiras despregadas!
Quando lhe disse que se o senhor calhasse de ter o carro aberto, eu sentava-me a toda a velocidade e só depois reparava que estava no carro, e com o marido, errado, então é que nos rimos!

Em minha defesa, tenho de dizer que inicialmente o Nuno parou o carro ali, onde estava o senhor, e só depois se chegou à frente.
E o carro também era cinzento.
O meu consciente pode ser apardalado, mas o inconsciente sabia o que estava a fazer!

Foi uma boa gargalhada e soube bem, muito bem.

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domingo, 1 de dezembro de 2013

O Último


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Na sexta-feira à noite, estava numa festa de anos quando recebi a notícia de que o meu avô morreu. O meu último avô, que já era velhinho, que já não estava bem, mas era o meu avô, o pai do meu pai.
Fiquei tão gelada que só me apetecia desaparecer. Mas tinha sei lá quantas  pessoas do outro lado da família à minha volta, um aniversariante que não sabia da festa surpresa e que ainda não tinha chegado, uns Parabéns a Você para cantar, sorrisos para oferecer... e eu só pensava no meu pai, que devia estar triste, que tem o coração maltratado, que de há uns tempos para cá está ainda mais sensível e piegas do que nunca.
Eu fiquei triste por perder o meu avô, que era bem disposto, simpático e que recordo só com alegria, mas o meu pai perdeu o pai dele e eu queria deixar de pensar que um dia isso também me vai acontecer a mim.
Estou orgulhosa dele, porque se aguentou melhor do que eu pensava no funeral, mas isto é tudo uma valente merda.

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