quarta-feira, 25 de abril de 2012

Venha Mais Um


Numa época em que o país atravessa uma crise medonha, em que todos andamos assustados com o futuro e em que todos sabemos que é preciso fazer alguma coisa, custa-me um bocadinho ver aquelas pessoas que vivem apenas de glórias passadas.
Sim, o 25 de Abril foi importante, mudou a nossa sociedade para melhor.
Mas o que precisamos neste momento é de uma revolução diferente, de um novo ponto de ruptura com o que foi mal feito nestes últimos 38 anos.
Eu não tenho soluções milagrosas, mas se estivesse na minha mão, começava por responsabilizar as pessoas - políticos incluídos - que nos deixaram chegar a este ponto. Mexia em bancos - como é que o banco onde tenho o empréstimo da casa tem a lata de me enviar revistas a dar conta dos milhões que teve de lucro no ano que passou, se no mesmo ano me cobrou taxas de manutenção disto e daquilo, se não me desceu o spread, se não me deu benefício nenhum? - mexia na Segurança Social - como é que pessoas que estão a trabalhar e a ganhar dinheiro continuam a receber subsídio de desemprego? Como é que eu, que pago uma batelada não tenho direito ao mesmo subsídio? - mexia no Sistema Nacional de Saúde - a minha mãe precisa de fisioterapia, mas não há verba (desculpem??).
Enfim, era preciso alguém com coragem para virar esta merda toda de pernas para o ar, mas desta vez começando pelos sítios onde está o dinheiro e não pelos mesmos massacrados de sempre, os trabalhadores, como eu, que descontam uma pipa de massa para pagar subsídios a gente que não os merece. É que somos sempre os mesmos a pagar.

O 25 de Abril foi importante, mas agora precisamos de outro.

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terça-feira, 24 de abril de 2012

Interminável


Acho que quase todas as vidas, quase todas as profissões são cíclicas.
Temos tendência para ir fazendo coisas mais ou menos parecidas, umas a seguir às outras.  A minha profissão é uma pescadinha de rabo na boca! Processa-se e resume-se em poucas e simples etapas: Leitura, tradução, revisão, leitura e vira o disco e toca o mesmo.
Emocionalmente também passo por várias fases, mais ou menos cristalizadas: curiosidade para saber como vai ser o próximo livro; assoberbamento por ver que é tão grande/tão difícil/tão chato; genica para começar a traduzir; cansaço quando a coisa ainda vai a meio e já devia estar próxima do fim; genica quando o dito fim se aproxima; tristeza por ter acabado, afinal foi tão bom de fazer! (Esta última exclamação ocorre apenas depois de o trabalho estar concluído, durante é um ver se te avias!)
O que também nunca muda é a minha indisciplina, que me deixa sempre umas paginitas atrasada em relação ao ritmo ideal.
Nada a fazer, não sei onde ir buscar mais disciplina, mais rigor...
E é assim que estou agora, com demasiadas páginas para fazer nos dias que tenho disponíveis. Estou naquela fase em que queria sentar-me aqui, abrir o ficheiro e começar a traduzir sem parar para comer, dormir, beber água ou qualquer outra coisa. Queria fechar os olhos, mover os dedos pelo teclado e quando os voltasse a abrir ver a palavra FIM.

É um pouco mais complicado que isto, mas vou chegar lá.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Regresso



Hoje de manhã fui à minha universidade para falar um bocadinho nas Jornadas de Línguas Aplicadas (a versão pós-Bolonha do meu curso).
As saudades que tenho de ali andar! As saudades que tenho dos cappuccinos da máquina do ILCH! Das aulas, dos professores, que agora são todos uns queridos (!!) e que nos olham com uma expressão gira de orgulho, como quem pensa: Oh pá, elas saíram-se tão bem, devemos ter feito alguma coisa bem! Isto resulta!
E chegada a casa, pus-me a pensar. O meu curso foi do caraças! Formou-nos bem, deu-nos boas bases para enfrentar o mercado de trabalho, ajudou-nos a decidir o que queríamos da vida. Não nos ensinou tudo, porque se aprende muito com a experiência, mas para mim foi de um valor e utilidade inestimáveis.
Gostei tanto de andar na universidade que se pudesse voltava já para o ano. Não sei bem para fazer o quê, talvez um curso de História, de Geografia, ou até de Psicologia. Não para ter outra profissão, mas enquanto enriquecimento pessoal, apenas para receber mais conhecimento, para não perder o hábito de estudar, coisas de que sempre gostei. Claro que com as propinas pela hora da morte, com o trabalho que (felizmente) não deixa muitas horas vagas e com o resto todo da vida, não sobra muito tempo para estudar. Mas gostava de o fazer.
Há lá melhor altura da vida do que quando se está a estudar?
Não, pois não.

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

É Porque Ainda Não Acabou




Ontem fomos ao cinema ver um filme de que toda a gente tem falado e que eu queria muito ver. Amigos Improváveis. Adorei. Ri muito, chorei a rir, chorei a chorar e por ser baseado numa história real saí do cinema com a crença renovada de que existem anjos em forma de gente.
Das muitas frases que podia reter do filme, ficou-me uma que podia bem ser um lema de vida: Tudo acaba em bem; se não está bem, é porque ainda não acabou. Acredito nisto, faz sentido e gostava de não me esquecer desta frase.
E assim o cinema francês vai ganhando pontos cá em casa. Só tenho pena de não saber o suficiente da língua francesa para entender as piadas originais, antes da tradução, onde se perde quase sempre um pouco da graça.
O próximo é um com o Jean Dujardin chamado Les Infidèles, que nos pareceu hilariante.
A ver vamos!


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terça-feira, 17 de abril de 2012

Ai pá, tive uma ideia tão boa, tão boa!

Então, já toda a gente sabe que ando sempre a mudar as coisas cá em casa, que a mobília nunca ganha raízes durante muito tempo. Pois ando aqui um pouco comichosa com a cor da secretária vs a cor das estantes no escritório, vai daí tive uma ideia tão boa, tão boa que nem sei como é que não pensei nisto antes! Tão boa e tão baratinha! Só preciso de um tampo e dois daqueles suportes em L (não sei como se chamam!) Vai ficar l-i-n-d-o!!!
Caraças, pá, eu sou do caraças!

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locuple... quê?!!

“As entidades empresariais e as pessoas ofendidas foram astuciosamente ludibriadas e prejudicadas pelos detidos, que criavam a convicção da titularidade de receituário válido para aquisição de diversos medicamentos, de molde a locupletarem-se, de forma indevida, com as vantagens patrimoniais daí resultantes”, refere um comunicado policial."

Perdi a Cabeça!

Pinterest


Pronto, vai-se a ver e não era desastre nenhum, nada do que eu temia.
Só meia diopteria em cada olho. Não influencia a qualidade da visão, só contribui para o cansaço depois das muitas horas passadas aqui a olhar para a janela do mundo.
Vai-se a ver e uma boa amiga minha abriu na semana passada uma óptica nova (gira, gira) e ontem fui tirar as medidas para os óculos.
Sim, tenho olhos de gente pequenina!
Sim comprei uns óculos cor de rosa!
Isso mesmo: cor de rosa!
(Tecnicamente parece que a cor é fucsia!!)

Eu já não bato com elas todas!




A Eye Care Clinic fica ali entre o Restaurante Península e a Farmácia do Instituto Galénico, perto do Centro de Nanotecnologia (antiga Bracalândia) e se me lêem em Braga, é dar lá um saltinho!




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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Have or Have Not

Nunca achei que o que distingue umas pessoas das outras fosse a quantidade de dinheiro que têm. Cada um tem o que tem e faz o que quer e pode com ele. Tenho maneiras distintas de encarar cada um destes tipos de pessoas. Compreendo as que se choram por não ter dinheiro nem para mandar cantar um cego, e intrigam-me muito as pessoas que parecem fazer o impossível para mostrar poder económico.
Se por um lado quem tem pouquinho dinheiro e tem de andar a esticar para isto e para aquilo não tem uma vida fácil (e sei bem disto porque já houve alturas em que todos os tostõezinhos eram contados e não chegavam para tudo o que se queria), por outro lado também aprende a controlar melhor os gastos, a distinguir o essencial do acessório e a dar valor às coisas. Não acho que seja uma boa maneira de viver, mas com esforço e cabeça, uma pessoa vai conseguindo safar-se.
Mas no que diz respeito às outras pessoas, as que têm algum dinheiro e fazem tudo para o mostrar, sinto quase pena delas. Porque se é importante mostrar o relógio da marca X, o casaco da marca Y, as botas da marca Z, para mim é sinal que estas artigos não passam de papel de embrulho brilhante a envolver um presente fraquinho. Se a ostentação, o exibicionismo e a vaidade são o mais importante que alguém tem, então o que está dentro, o lado interior, a cuca, são no mínimo parolos. E pobrezinhos, apesar do dinheiro que gastam. E é por isto que fico com pena. Porque quem se esforça tanto para mostrar que por fora é tudo bom e bonito, é porque por dentro está qualquer coisa estragada.
Noto mais estes comportamentos em pessoas que cresceram com pouco e que de repente se apanham com meia dúzia de tostões a mais no bolso e se acho natural que quando há mais dinheiro se façam algumas extravagâncias, se realizem alguns sonhos, não acho normal a substituição de valores e emoções por bens materiais. Como comentei há pouco tempo com a R. é uma declaração de parolice, de frustração e não resolve o que precisava de ser resolvido. É um buraco que se cava.
E não me parece que dê resultado ...

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Falta de Assunto


Ultimamente, em alguns blogues que visito, fala-se muito do que se deve partilhar ou não, qual é a fronteira entre o discurso "aceitável" nas redes sociais ou o que é considerado "privado". Se há quem se limite a expressar o tédio perante dezenas de posts de textos ou imagens sempre iguais, há quem vá mais longe e decida falar do regresso da censura, da castração do livre arbítrio e outros que tais.
Fica tão bem discorrer sobre as liberdades fundamentais das pessoas, fazer grandes declarações de justiça social e intelectual. Dar ares de superior.
O que me parece que algumas pessoas se esquecem é que este meio virtual é livre e cada um saberá o que quer escrever e partilhar, mas aqueles que querem ventilar críticas e opiniões contrárias também são livres de o fazer. Ou há dois pesos e duas medidas? Se a liberdade de expressão me protege quando digo o que comi ao pequeno almoço, também tem de me proteger quando digo que não gosto do que A ou B comeram... E A ou B não deviam ficar melindrados, porque também eles podem não gostar do que comi - e têm todo o direito de o expressar.
Parece-me sinceramente, conversa de encher chouriços. E falta de assunto. Para quem não tem mais fotos de "outfits" para mostrar...

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Pitosga?

Pinterest
Há pessoas que têm receio de ir ao dentista, outras não gostam de ir a consultas de rotina, fazer análises, ir à ginecologista, ao otorrino, coisas do estilo...
Eu pelo-me de medo do oftalmologista!
E hoje tenho consulta e já sinto uma estranha borboletagem no estômago. Não sei explicar.
Acho que é o cagunfo de me poder receitar óculos outra vez...
Ai, ai...

;)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Eu Não Sou Loira, Sou Só Um Pouco Distraída!

Pinterest
Eu, à semelhança com o que acontece com a maior parte dos grandes génios (!!) sou um bocadinho despassarada! Já me aconteceu andar na rua com a cabeça na lua, passar por alguém conhecido e nem dar pela pessoa, que fica especada a olhar para mim certamente a pensar" Olha que parva, nem um bom dia me disse".
Sou sempre a última a aperceber-me que Fulano anda atrás de Beltrana, que por sua vez anda de olho em Sicrano.
Ainda no outro dia entrei num elevador onde estava uma bébé gira deitada no carrinho, agarrada a uma Hello Kitty. Comecei a pegar com a bebé, até que a mãe me disse: "Olá, tudo bem?" Vai-se a ver e é mulher de um amigo nosso, fomos ao casamento deles e tudo, estivemos juntos quando a bebé estava para nascer!
Também é frequente falarem-me de consultas, exames, aniversários, trabalhos e outros que tais e passa-me tudo ao lado.
Um dia ainda gostava que alguém analisasse a minha memória, porque me lembro de coisas absurdas que acontreceram há dez anos atrás e não me lembro que no dia X da semana passada a minha mãe tinha consulta no médico Y...
Juro que não é desinteresse nem falta de preocupação, mas parece que seleciono, que registo apenas uma parte daquilo que me dizem.
Às vezes ando para aqui tão concentrada no trabalho que até me esqueço de fazer o jantar!
Por falar nisso, tenho de enviar uns e-mails... já me esquecia!!

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

I Can See You But You Can't See Me!


Então, hoje fui fazer umas comprinhas.
A minha auto-estima tem andado assim um bocadito pelas ruas da amargura. Porque são umas ruguitas que me apareceram aqui e acolá, porque a barriguita teima em não desaparecer, porque nas últimas duas semanas engordei quase três quilos, enfim, you name it...
Mas faço um esforço para me vestir bem, para colocar uma corzinha no rosto, por não me abandalhar.
Assim sendo, vesti o meu top verde favorito e fui à Sephora comprar uma base em pó que me estava a fazer falta.
Na caixa, atendeu-me uma senhorra frrancesa que dobrrava os erres todos.
Orra aqui tem uma amostrrinha de um excelente anti-cerrne; uma amostrrinha de um crreme antirrugas e um sérrum que faz uma micrro exfoliação e melhorra a texturra da pele.

Até fico contente quando me oferecem cenas e cremes então, adoro!
O que se passa é que eu sempre tive olheiras, sempre as odiei, já usei trezentos mil cremes e nada resulta, vou ter olheiras a vida toda e se há coisa que me deixa triste é que me digam "hoje estás cá com umas olheiras"... Porque não é hoje, é sempre.
Há algum tempo comecei a ver umas rugazitas a instalarem-se em redor dos olhos. Eu bem ponho creme, mas nada a fazer, é o tempo a passar por mim.
E tenho a pele do rosto cheia de manchinhas - gostava de dizer que são sardas, que é uma coisa engraçada e partusca, mas não são, são manchinhas, paciência!

Por isso saí da Sephora com a base que procurava e com vontade de enfiar a cabeça num saco de papel pardo, só com uns buraquinhos para os olhos...

Fazê o quê?!!

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Por Enquanto



Regressei hoje ao mundo dos vivos.
Estou aliviada, não exactamente orgulhosa, mas satisfeita com o que consegui fazer com o tempo que tinha.
Sinto-me em estado de convalescença. Estou a tentar recuperar o sono, comer decentemente, não me afogar em café e deixar o meu amado Voltaren, que voltou a fazer-me companhia nos últimos dias.
Gostava de dizer que não vou voltar a andar tão aflita com o trabalho, mas já sei que provavelmente não seria verdade; por isso não digo.
Agora vou ver um filme, enroscar-me no sofá e dar mimo aos meus gatos, que apesar de estarem sempre sentadinhos perto de mim, têm falta de festinhas!
Há mais mimo em atraso cá em casa, mas esse fica para daqui a bocadinho!

Estou de regresso ao mundo dos vivos, por pouco tempo, mas estou!

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

One Picture a Day - 5


É impressão minha, ou?...

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