terça-feira, 28 de outubro de 2008

Carochinha...


Era uma vez uma Carochinha muito bonitinha, que já ia nos trinta, tinha casa própria - um apartamento muito jeitoso na Foz - um carro - potente até de mais para o seu pé levezinho - um emprego interessante e compensador, uma família que se orgulhava dela - e que não a chateava muito - e um punhado de bons amigos.

Ao fim-de-semana ia ao teatro e ao cinema, depois de jantar nos restaurantes mais in do momento. Outras vezes ia dançar com as outras carochinhas e não era raro encontrar um carocho que lá lhe chamava a atenção. Ora, esta carochinha era inteligente. Nenhum carocho entrava no apartamento muito jeitoso. "Não, no meu santuário, não", dizia altiva às outras carochinhas, que acenavam com a cabeça em gesto aprovador. Da última vez que um carocho tinha ido lá a casa, tinha partido uma jarra da Vista Alegre com uma camisa atirada ao acaso.

Aparentemente era uma carochinha que tinha tudo.
Era a inveja das carochinhas casadas porque não tinha marido para lhe cortar as asas e filhos a torrar-lhe a paciência; e também a inveja das solteiras, porque tinha os homens que queria e com um piscar de olhos apenas era capaz de encontrar companhia para qualquer dia... e qualquer noite.

Um dia, a Carochinha andava a aspirar a casa e encontrou uma fotografia debaixo do sofá.

Tinha sido tirada há mais de cinco anos, numa tarde solarenga de outono.
Nela estava um casal de carochos apaixonados, com o sol no olhar e o sorriso que só o amor consegue provocar.
A Carochinha desligou o aspirador, sentou-se no sofá e olhou para a fotografia... Parecia ter sido tirada há uma eternidade e no entanto lembrava-se daquela tarde como se tivesse sido só há uma semana.
Naquela tarde o carocho tinha-lhe dito:

- Carochinha, encontrei este tostão enquanto andava a verificar o relatório e contas da empresa, por isso... queres casar comigo?
- Sim! - Respondeu a Carochinha sem querer acreditar na sua sorte.
- Então vamos começar a preparar a casa; podes deixar de trabalhar, que agora tenho dinheiro que chegue para os dois, e vamos sem demoras dar início à família com que sempre sonhámos! Olha que quero pelo menos seis carochinhos!

E foi nesse momento que a Carochinha, que nunca tinha sonhado com uma prole tão numerosa, se apercebeu que as histórias de encantar só encantam mesmo nos livros e que é urgente fazer-lhes uma revisão, porque não está correcto andar a ensinar às criancinhas que todas as histórias acabam bem e que todos são felizes para sempre.

The End...
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Como os Corajosos Forcados do Ribatejo


Imagem tirada da Net

(...)

Às vezes as notícias apanham-nos de surpresa. Porque são boas, más, disparatadas ou, temidas...

O que me assusta neste último tipo de notícias, além da preocupação evidente e sincera que causam em mim, é a imprevisibilidade com que parecem surgir. Não há avisos nem tempo para nos prepararmos para elas. As coisas acontecem simplesmente. De um momento para o outro.

Mas como é que nos preparamos para as ratoeiras da vida?
Se passarmos o tempo todo à espera que as coisas aconteçam, esquecemo-nos de viver, impedimo-nos de apreciar as pessoas e tudo o que há de positivo, alegre e valioso nelas.

Acredito que nada acontece por acaso; mesmo as coisas mais dolorosas têm uma razão de ser, um propósito a cumprir, uma intenção.
Mas há coisas que sou incapaz de justificar; objectivos que não entendo, motivações que não aceito e contra as quais me rebelo. Mesmo quando a resolução não está ao meu alcance, nem me afecta directamente...

Então, para mim, só há duas maneiras de encarar as notícias menos boas:
Ou ficamos revoltados, amargos, desiludidos e decidimos desperdiçar o resto das coisas boas que nos rodeiam, levando assim uma vida miserável, ou fazemos como os corajosos forcados do Ribatejo e encaramos o touro de frente. E se for preciso ainda o picamos, para que mostre o que vale e invista com toda a força contra a nossa vontade férrea e coragem inquebrável.

Como boa ribatejana que sou, prefiro a segunda hipótese, meia kami-kaze, é certo, mas se nos mostrarmos valentes, talvez as coisas menos boas se assustem e desapareçam de vez.

E quando for preciso chorar, SE for preciso chorar, choramos, mas até lá, rimos alto e bom som com gargalhadas arrancadas do fundo da alma, enquanto dizemos às notícias que nos magoam:

- Anda lá, dá-me o teu melhor; tenta derrubar-me só para me dares o gozo de te ver falhar.
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sábado, 25 de outubro de 2008

Frase para não esquecer


"Pain is weakness leaving the body."

Vamos lá ver se me lembro disto na próxima aula de Pump!
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pergunta do dia


Porque é que a mesma característica numa pessoa nos desilude terrivelmente e noutra nos encanta de forma arrebatadora?
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Nem sempre é fácil. Às vezes chega a ser difícil!

Sei que parece idiota e toda a gente que conheço me gaba o trabalho:

- Ai quem me dera trabalhar em casa!
- Isso é que é profissão, hã! Todo o dia sentadinha em frente ao computador...
- Não é para todos, nem precisas de sair de casa.

Mas não se pense que é assim tão fácil conseguir a disciplina necessária para trabalhar em casa, sempre de rabo alapado em frente ao pc. Eu nem sempre consigo...

Adoro o que faço, mas é preciso alguma força de vontade para não ficar sentada em frente à televisão, a estupidificar, ou largar a internet, que para o bem e para o mal nos abre as portas do mundo, e trabalhar!


Avizinha-se uma longa tarde de trabalho!

Hopefully!
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Porque nunca é tarde



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Trezentos anos depois de metade dos habitantes da Terra terem começado a sua jornada no mundo dos diários on-line, decidi juntar-me ao rebanho - coisa muito pouco habitual em mim!

Não porque tenha coisas extraordinárias e de interesse planetário para dizer, mas só porque me apetece.
É uma maneira interessante de escrever sem preocupações sobre as coisas que me apoquentam e me divertem, mesmo que mais ninguém se dê ao trabalho de ler.
É provável também que algumas actualizações sejam apenas visuais, porque para mim, uma imagem ainda vale mais que mil palavras, embora as palavras sejam a minha derradeira paixão.
Vai ser um registo feito ao sabor do vento e das vontades...
E é essa a beleza da coisa, este caderno virtual é absolutamente desprovido de pretensões e serve para provar a mim própria que nunca é tarde para se começar nada!

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