terça-feira

Respirar


zen - first breathe


Nunca me achei uma super mulher, muito pelo contrário.

Sempre duvidei mais de mim e das minhas capacidades do que das de qualquer outra pessoa. 
Sei sempre quando dou um passo maior do que a perna, quando tenho mais olhos do que barriga, quando me estou a afogar.
Nestas alturas não baixo os braços, mas muitas vezes mesmo quando começo a desembaraçar-me dos fios, quando começo a vir à tona, ouço o grilinho aqui do lado esquerdo a bichanar-me ao ouvido: Olha que estás prestes a dar o berro; não vais ser capaz. E às vezes acredito nele. Quase sempre.
Quero muito acreditar em mim, quero acreditar que sou capaz de fazer tudo aquilo a que me proponho. Quero acreditar que vou ter tempo para tudo, até para dormir e descansar. Até para fazer nada.
Às vezes tenho, outras não.
Agora não.
Não me achando uma super mulher, e duvidando de tudo o que sou, de tudo o que faço, reconheço que também tenho a capacidade de ir em frente, mesmo quando estou cansada, quando ando dias a fio com a vista turva e a cabeça zonza de tanto sono, quando faço das tripas coração para conciliar a vida com o trabalho. Vou continuando em frente porque tenho de continuar, porque o trabalho não se faz sozinho, os objetivos não se alcançam com sonhos e as palavras são para se cumprir.
Mas fico exausta.
Procuro relativizar, criar tempo, fazer escolhas e ir em frente.
Com sono, com fome emocional, com a pressão que me comprime o peito, com dores aqui e ali e em todo o lado. Mas continuo. Abdico do que for preciso. Até de mim.
E continuo. 
Por vezes não sei como continuo e quando chego ao fim olho para trás para me certificar de que não me esqueci de nada - no trabalho então há quase sempre uma fase em que duvido se fiz tudo o que tinha de fazer (naturalmente), porque parece que mergulho num buraco negro e passo do meio dos livros para o fim quase num estado de dormência, de inconsciência, sei lá. 
Não têm conta as vezes em que revi os números das páginas um por um porque acho que não as devo ter feito todas, porque efetivamente não me lembro de as ter feito todas. Mas fiz. Faço sempre. Fui em frente. Continuei.
Mesmo que às vezes me esqueça de respirar.

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