segunda-feira

Para a próxima...




This is why when I'm bringing a new topic to a person, I start with "Did I tell you about BLANK already?":


Ontem em conversa com o Nuno disse que acho que sou uma falsa extrovertida. 
Na verdade não acho, tenho a certeza. Às vezes sinto que a minha lata e descontração são uma capa, uma fachada.
Não sou a tímida convencional, mas há ocasiões em que me sinto presa dentro de uma timidez que nem as pessoas que me conhecem me atribuem, porque falo com toda a gente, seja os senhores do restaurante, as meninas das lojas, as pessoas no ginásio, no autocarro, nas finanças, seja quem for. Se é preciso falar, eu falo sem medos. 
Não tenho problemas nenhuns em falar em público, nem a dar-me a conhecer aos outros a nível profissional. 
Se analisar a coisa por níveis, diria que a um nível superficial sou extrovertida, faladora e desenrascada. Não tenho problemas em dar-me com ninguém. Exprimo-me bem, não tenho medo de falar, na maior parte das vezes nem sequer fico nervosa se tiver de falar, sei lá, numa reunião, numa conferência, num grupo que não conheço. Falo e pronto.
Mas depois há situações em que bastava uma palavra e não sou capaz de dizer NADA! Não sei porquê.
Por exemplo, um grupo de pessoas que conheço, participou num evento em que também gostava de ter participado. A ideia pareceu-me muito gira, desafiante e diferente do que estou habituada a fazer. Conheço toda a gente que participou, algumas das pessoas são até minhas amigas e bastava ter dito - Olha, também gostava de ir! - para me inscreverem na equipa. Mas não fui capaz de dizer nada. Estive com elas dois dias antes, estavam a falar do assunto e eu não fui capaz de abrir a boca, embora tenha ficado cheia de pena por não ir! 
Que estupidez, não é? Se for preciso estou meia hora a falar de coisas sem jeito nenhum, e depois não tenho coragem para pedir que me incluam numa atividade de grupo! 
E isto é só o último exemplo, o que me fez pensar na questão, mas já me aconteceu tantas, tantas vazes.
Parece uma coisa de adolescentes, não de pessoas daqui a pouco de meia-idade! 
Não sei bem porque é que isto me acontece, se tenho medo de rejeição, se não quero ser inconveniente, se não me quero impôr às pessoas, mas neste exemplo em concreto, tenho a certeza absoluta de que ninguém me ia dizer que não podia ir, que não havia lugar, que não me queriam lá. Muito pelo contrário.
Isto que sinto não é uma timidez incapacitante é só chata, mas como é que a ultrapasso?
Como é que eu faço isto? 

Quando perguntei ao Nuno ele respondeu com toda a simplicidade - Então, para a próxima dizes que também queres ir!

Pois, é isso.

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2 comentários:

Mariana disse...

Facilmente se mistura os conceitos de introversão, timidez e insegurança. Se tivesse de adivinhar, diria que és uma extrovertida cuja auto-confiança vacila de vez em quando, o que até é sinal que não és uma convencida chatarrona :D Eu cá sou introvertida encartada mas não sou tímida, no entanto. Olha, o André do À Paisana é que escreveu uma vez um post muito giro sobre isso: http://www.apaisana.com/2017/02/15/crescer-e-viver-como-um-introvertido-num-mundo-de-extrovertidos-um-guia/

Ana. disse...

Pumbas, é isto!

«Como já disse algures aí em cima, ser introvertido é diferente de ser tímido. Conheço vários introvertidos não tímidos, pessoas que não têm qualquer problema em falar em público ou em ser o centro das atenções, mas que precisam do seu tempo e do seu espaço para recarregar baterias. Também existem extrovertidos tímidos, que ganham energia em festas ou actividades em grupo, mas preferem não ser o centro das atenções.

A definição mais comum de timidez é medo de ser julgado pelos outros. É este medo que causa aquela sensação desconfortável de vergonha e apreensão que cria uma espécie de buraco negro no nosso peito.»

Também gostei da noção de «ambivertido»!! Só não bebo é descafeínado!

:)