terça-feira

Mais um dia triste




É sempre triste ouvir notícias de guerras, revoltas políticas, catástrofes naturais, atos terroristas em terras longínquas, milícias armadas algures nas florestas tropicais. É preocupante, fico sempre com um aperto no peito, penso sempre na dor das pessoas, no que sentem os familiares, os amigos. Mas normalmente são (eram) acontecimentos distantes.
Esta guerra instalada contra cidades europeias onde a vida decorre pacificamente, com toda a normalidade que estou habituada a ver na cidade onde vivo é absolutamente aterrorizante. Porque é imprevisível. Não vivemos num cenário de guerra ou instabilidade social em que os atos de terror são expectáveis - por muito lamentáveis que sejam. Vivemos em paz, as nossas sociedades são organizadas, bem ou mal, com maior ou menor desigualdade não é isso que que está em causa.
Sentimo-nos seguros para ir a um estádio de futebol, para correr pela rua, para estar na praia de olhos fechados, para ir ao jardim zoológico ou a um concerto.
Esta guerra de terror quer tirar-nos a paz, a placidez com que encaramos o dia a dia e por muitos discursos a instigar a união e a resistência, o sentido de comunidade e a solidariedade, a verdade é que sinto medo.

Porque já ninguém sabe quando ou onde é o próximo, como vai ser e quem será o alvo.
Já não é só em terras distantes que a barbárie acontece. Está aqui, no nosso quintal, debaixo dos nossos narizes.
E o medo vai ganhando terreno.

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