quarta-feira

Demandas impossíveis




Fazendo um exercício puramente individualista e partindo do princípio de que o que desejo de bom para mim é o mesmo que desejo às pessoas que amo, se me perguntarem qual é o objetivo primordial da minha vida respondo que é ser feliz.
Acho que terei isto em comum com a esmagadora maioria das pessoas, porque não acredito que alguém seja infeliz porque quer.
A minha noção de felicidade engloba todos os tipos de saúde (a saúde física, a afetiva e até a social e a financeira). As pessoas mais velhas costumam dizer que havendo saúde o resto arranja-se e é verdade.
A minha noção de felicidade também implica ter um trabalho que me realize, que me ensine muitas coisas e que me permita ter tempo (e dinheiro) para viver. Ou seja, o trabalho não pode servir só para ganharmos dinheiro para pagar contas e impostos, para comprar batatas e cenouras e pouco mais. 

Excluindo todos os fatores externos, acho que a felicidade vem de dentro; dos nossos sentimentos e expectativas em relação às coisas e às pessoas que nos rodeiam, dos pensamentos que escolhemos albergar e da forma como olhamos para nós e para o mundo. E é esta parte que exige mais trabalho.
Sempre disse que nada é tão verdadeiramente nosso como os nossos pensamentos. Ninguém manda nos pensamentos de uma pessoa saudável. São nossos, podem ser o que quisermos, podem apresentar-se como quisermos porque não precisamos de os transmitir a ninguém. São nossos. Mas podem ser influenciados ou condicionados.

Ultimamente parece que a Humanidade se embrenhou nesta demanda da felicidade - eu incluída. Toda a gente tem dicas e conselhos para os outros serem felizes, toda a gente escreve frases inspiradoras a «ensinar» a felicidade. Parece que só nos sentimos completos, pessoas válidas se formos sempre muito felizes e estivermos sempre de bem com a vida.
Acho que durante muito tempo caí nesta ratoeira. Na de me comparar com outras pessoas (cujas vidas completas - e pensamentos - desconheço inteiramente), na de querer que o meu mundo seja sempre cor de rosa e habitado por coelhos de angorá e unicórnios; na de desejar que tudo fosse perfeito e imaculado. Eu não sou, ninguém é. 
Por isso, a realização de que nada é perfeito e imaculado foi uma coisa que me custou a engolir. 
Conseguir processar e aceitar que ninguém é feliz todo o dia, todos os dias, é das conquistas mais libertadoras que posso fazer. 
Deixar escorregar dos ombros a pressão de que preciso de andar a sorrir e a saltitar feliz e contente todos os segundos do dia é maravilhoso. Porque não preciso. Não consigo. Não quero.
De vez em quando os momentos tristes, os pensamentos tristes metem-se no nosso caminho, caem-nos em cima de repente, assaltam-nos o pensamento. É mesmo assim. É aceitar, processar e passar à frente. Amanhã é outro dia.

Acho que devo perseguir os momentos felizes, sim, tentar reunir tantos quantos consiga, mas não posso atribuir-lhes a responsabilidade da felicidade absoluta.

Porque a felicidade absoluta é tão real como os unicórnios.

Some days are just like that, especially the rainy ones. Relating to Sadness from Disney Pixars #InsideOut Disney UK on Twitter:
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2 comentários:

Mariana disse...

As pessoas que andam constantemente à procura da felicidade têm é muito pouco que fazer.

Ana. disse...

Verdade! :)