quarta-feira

Cordial e indiferente


Less... Relevant... I still have to pray for your continued success though... T:


Não me considero uma pessoa mesquinha, não sou de grandes melindres, não me ofendo por dá cá aquela palha e por instinto de autopreservação ou por estupidez natural tenho tendência para me esquecer das coisas chatas que me acontecem.
Mas...
Tenho muito pouca paciência para a cobardia e a falta de integridade em geral.
Para quem diz que faz e não faz;
Para quem só consegue olhar para os outros e não vê o espelho que está à sua frente;
Para quem só «vê» os outros quando lhe convém;
Para quem é mesquinho e embirrante só porque sim;
e
Para quem é azedo e não faz um esforço por mudar.


Considero-me uma pessoa simpática, afável, boa onda. Dou segundas, terceiras e às vezes quartas oportunidades porque acredito que toda a gente tem um fundo bom e porque no fundo (passe o pleonasmo!) é o que faço comigo - dou-me infindáveis oportunidades para ser melhor.
Mas, uma vez borrada a pintura, não há volta a dar-lhe. 
Podem aparecer-me pintados de ouro que não sou capaz de voltar ao que era antes; parece que crio uma espécie estranha de intolerância, uma alergia e passo a encarar as pessoas apenas por aquilo que mostram, em vez de estar disponível para ver o que pode existir por baixo. 
Sei que toda a gente tem muitas camadas, boas e menos boas, mas se alguém escolhe mostrar umas e não outras, o esforço de procurar pelas boas já não me compete a mim. 

Como me considero uma pessoa calorosa até para as pessoas que não conheço, para mim o tratamento cordial e indiferente é na verdade a forma mais distante que encontro para funcionar em sociedade. 
Esta é de resto uma palavra pavorosa: cordial. 
Nem é carne nem é peixe. Não aquece nem arrefece. Está ali. Existe. Não é nada nem deixa de ser.

É cordial, quase transparente não fosse considerar-me também uma pessoa educada.

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