segunda-feira, 24 de abril de 2017

Todos iguais


"A book is a device to ignite the imagination." Alan Bennett:


Ontem foi o dia mundial do Livro, que é um dia que me aquece sempre um bocadinho o coração, já que grande parte dele está cheio de livros!
Desde muito nova que leio compulsivamente. Leio tudo o que me aparece à frente, de todos os géneros, todos os segmentos, todos os autores (menos dois ou três cujos primeiros livros que li me causaram frenicoques de tão maus). Leio em três línguas diferentes com a mesma facilidade e além de me dar um prazer enorme ajuda-me muito no meu trabalho, que é: traduzir literatura!
Ontem vi muitas manifestações de amor aos livros e fiquei muito contente. Parece que a leitura está outra vez na moda, que as pessoas se interessam mais, que cada vez gostam mais de ler. 
Mas há uma «onda» de leitores snobes que me enerva: os que apregoam que lêem exclusivamente em papel; os que se dão ao trabalho de publicar quadrinhos e imagens a desdenhar dos e-readers; os que enaltecem o «cheiro do papel» como a mais autêntica característica da literatura; os que acham que ler em suporte digital é menos cool do que ler em papel. 
Eu, que sou tradutora literária leio quase sempre em suporte digital. Compro alguns livros em papel, mas apenas quando não há em e-book.
E o motivo é muito simles:
Gosto de histórias. Gosto DAS histórias. 
Do momento de leitura. Das asas que os livros me dão, do tanto que me ensinam.
Para mim, os livros são um bocadinho como as pessoas: é o conteúdo que interessa, não a forma.
E o cheiro do papel só me provoca espirros. Os livros de 700 páginas ou mais que gosto tanto de ler, dão-me cabo dos braços (braços esses que são essenciais para trabalhar, como acontece com toda a gente!). 
Ah, e tal, estás a ajudar a acabar com a indústria que te alimenta. Não estou. O meu trabalho não se esgota em papel, os livros que forem editados em suporte digital também precisam de tradução! 
Não sei porque é que uns têm de ser melhores do que os outros, se por dentro são todos iguais. 
Os livros que nos ficam no coração são eternos dentro de nós; não importa o formato.

Ler, para mim, é mergulhar em aventuras, em realidades que não são a minha, em sonhos que não são os meus. Ler é apaixonar-me por personagens que existem só na imaginação de quem escreveu e de quem lê. Ler é viver vidas que se estendem para lá da nossa.
E isso vale para vidas em papel ou em digital. 

A biblioteca da vizinha não é melhor do que a minha. Pode ser só diferente.

Importa é ler!

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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Being kind is how we benefit the world.



Sat Nam is true identity. Sat meaning truth and Nam, identity. Sat Nam is in the sacred language of Gurmukhi: ਸਤਿ ਨਾਮੁ.:
True identity




Porque (à exceção da moda dos batidos e super heróis nutricionais) a minha noção de yoga, de vida, está aqui escarrapachada e porque quero guardar isto para memória futura:

"Every individual has the right to feel at the best of their abilities—to feel beautiful, loved, and important. With this right, though, comes the need to respect that same right in others.

When in full realization of ourselves, we honor our role in our communities, families, and society at large. We recognize how the life of another person is just as important as our own. Rather than being in competition against another, we develop ourselves alongside them.
Lately, our society is all about self-development. Growth is good, but when unsupervised, or with the wrong intention, it can lead to a self-centered attitude and lost of connection from community. With too much emphasis on the “self,” we find purpose only in ourselves.
When I hear about self-development programs—like meditations, juice cleanses and so on—I naturally want to join in. Who doesn’t want to feel good? When I see the trend it’s taking though, I’m wary of the dark side of this personal work. I’ve seen too many narcissists and egoists running wild in the self-help world, and can’t help but wonder if they started out that way.
I personally get bothered by the yoga student who, on top of holding a perfect posture, also feels the need to check others that are less proficient in that pose. That’s not what yoga is about for me. I am not in yoga to perform, nor to compare myself with others, and I would hope other yogis would feel the same.
If yoga and meditation lead people to feeling more important than the rest of the world, something isn’t right. Sure, there might be a point in our practice when we feel that we have reached a more profound, elaborate form of ourselves. We may notice ourselves performing faster or stronger than the people around us. Let’s not take pride in it. We’re not in practice for the pride. We’re not in yoga for our ego. Not everyone moves the same way or at the same pace. As yogis, we have to respect that.
It is good to feel confident about ourselves—that we have found ourselves, our goals, our purpose. Can we decide, then, to share our good energy? We want others to feel as good as we do, right? Let’s show our community how to be a whole, how to be mindful, how to love ourselves and others. If we can do it through yoga or a simple daily practice, we can inspire those around us to be better people in the world. 
When we feel truly flexible and good within ourselves, “corpe sancto y espiritu santo” (right body, right mind) I believe our ultimate purpose is to help others feel that way too.Yoga and meditation are about improving our health and overall wellbeing to realign our bodies and minds with the world. They teach personal harmony and awareness of ourselves and our communities. When done well, we feel more connected, not just with ourselves but with others on both a personal and global level.
We can develop our egos to limitless capacities, but this is not the mindful life. This is not what yoga, meditation, and self-development are truly about. Instead, it is about love. It is about listening to what our bodies and the world need most. Listening, and being kind, is how we benefit the world.
We are all part of a whole. Your role as a yogi is to love and make the world a better place. If you think you’ve reached a point of achievement, then take your practice outside of the studio and share the goodness around.
Like the wise adage says, “My liberty ends where yours begins.” Dear yogi, remind yourself every day that you are not the only human in the studio or the world. When you feel your skill getting to your head, breathe in this awareness and exhale your ego. Open your arms and let yourself be guided with love. Be kind and compassionate to others, and be grateful for the lives of those who share your studio. This this the path of a true yogi, and to a joyful life. "


Retirado do fantástico Elephant Journal. 



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terça-feira, 18 de abril de 2017

Eu amo-me, eu adoro-me, não posso viver sem mim - ou uma ode ao amor prórpio!


Yesssss! Don't have this problem anymore since NASA has a gym onsite but back when I workout at 24 hr fitness... good grief! -.-:


Quase todas as salas do ginásio onde treino têm paredes de espelhos, como aliás acho que são capazes de ter todos os ginásios, uma vez que é útil olhar para o espelho e observar/retificar a postura enquanto se faz exercício. Muitas lesões surgem precisamente devido a posturas incorretas e parece-me lindamente que a malta avalie a curvatura da lombar e se os joelhos estão ou não a 90 graus!
Nas aulas de Body Balance, o espelho é útil por estes motivos também, além de que ajuda ao equilíbrio, essa parte fundamental quando se tem dois dedos e pouco mais assentes no chão!
Numa das aulas de Balance que fiz na semana passada não pude deixar de observar uma miúda que estava ao meu lado, porque passou a aula toda a admirar-se, a virar a cabeça para ver o perfil, a consertar o cabelo, a puxar a alça do top mais para cima ou mais para baixo, a virar a anca para olhar para o rabo, a espreitar para todos os ângulos e cantos e a borrifar-se para a curvatura dos ombros, para o ângulo das pernas ou se estava ou não com o pescoço em tensão!
(Eu própria quase fiquei com um torcicolo só de olhar para ela!)
Qual alinhamento de postura, qual carapuça, importa é saber que lado a favorece ou se na próxima selfie que tirar com um sorriso - absolutamente genuíno - nos lábios o melhor será virar o rosto para o outro lado. E fazer beicinho.
Ou empinar o rabo. 
Ou levantar os braços para as mamas parecerem maiores e mais juntinhas. 
Ou todas as anteriores!

Há quem lhe chame narcisismo, eu cá chamo-lhe amor próprio, daquele que vem anunciado tantas vezes nas frases inspiradoras.
Ame-se, mime-se, adore-se.

Ou então vaidade, também pode ser só vaidade.


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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Humm...

Resultado de imagem para a amiga genial

Tenho amigas estupidamente cultas em termos gerais mas mais cultas ainda em termos literários.
A literatura traz muitas coisas boas à vida das pessoas, sendo que uma dessas coisas é aproximar aqueles que gostam de partilhar histórias e de falar delas. Somos os tais ratinhos de biblioteca, que devoram livros como se fossem ar, ou chocolate!

Por isso, quando comecei a ouvir estas minhas enciclopédias ambulantes a falar do livro A Amiga Genial da Elena Ferrante, tomei nota do título mentalmente para lhe deitar a mão assim que fosse possível.
Foi possível na sexta-feira passada, mas li 40 páginas e não voltei a pegar nele...
Sei que ainda é muito pouco, mas não gostei das personagens (que são mais do que as mães) e nestas poucas páginas apeteceu-me ir às ventas à tal da Lila uma meia dúzia de vezes.

Aconteceu-me o mesmo com o Liberdade do Jonathan Franzen. Detestei aquela gente toda e custou-me a ultrapassar este facto e a concentrar-me na escrita, que é maravilhosa.
Depois cheguei ao fim e gostei bastante do livro como um todo.
Gosto de gente imperfeita, tanto nos livros como na vida real e no Liberdade esta imperfeição está perfeitamente retratada.

Neste da Elena Ferrante ainda não sei. Mas é muito estranho em mim ler 40 páginas de um livro e depois nem me lembrar mais dele. Esquecer-me efetivamente que o comprei.

Mas os meus ratinhos de biblioteca não se costumam enganar. 
Vamos ver!

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terça-feira, 11 de abril de 2017

Idiotas e sarcásticos.


Funny Ecard: I just rolled my eyes so hard I think I saw my brain.:


Há uma cena que acho que preciso de fazer, mas como leva tempo e exige muita dedicação, tenho primeiro de pensar bastante sobre o assunto, sobre a metodologia e sobre a execução.
Embora na maior parte das vezes não exteriorize nem me manifeste, as pessoas irritam-me.
Assim, na generalidade. As pessoas enquanto substantivo coletivo, sendo que consigo isolar algumas individualmente, passe a redundância.

Irritam-me as pessoas que tratam toda a gente por tu nas publicações inspiradoras que partilham nas redes sociais: Vai, porque tu consegues! Quando sentes que a vida está a ir com os porcos, levanta os braços e vai à luta! Tu consegues! Levanta o rabo do sofá e faz-te à vida! Tu consegues!!

Irritam-me as pessoas que estão sempre a fazer choradinhos e a colocar a casca de ovo do Calimero na cabeça: Ohh! A minha vida é tão difícil. Ohh! Tenho tantas dores de coração. Ohh! Ainda estou  tão longe do meu objetivo. Ohh, não consegui correr um quilómetro em 30 segundos! Ohh! Ninguém está para me aturar. Ah, pois não!

No seguimento desta irritação, irritam-me as ovelhas estão para as aturar, que vêm passar a mão pelo pelo e que respondem cegamente ao choradinho: Ohh, mas tu és uma guerreira, lutas pela vida! Ohh, quem me dera ter a tua força e dedicação! Ohh, quem me dera poder treinar/comer/beber como tu! Ohh, mas vais ver que o teu príncipe vai chegar e o coração vai melhorar! Ohh, mas já estás uma brasa; estás tão magra; estás linda; quem me dera a mim! És uma guerreira! Ohh, estou cá eu para te ouvir sempre que precisares! Ohh, és uma guerreira! (Esta irrita-me particularmente, não sei se dá para ver.)

Irritam-me as pessoas que insistem em partilhar os dados - números, estatísticas, tempos - dos treinos, como se isso interessasse a mais alguém que não aos próprios. Ouçam, ninguém quer saber! Ninguém está a olhar para quantas calorias queimaram, nem quantos minutos levaram a fazer um quilómetro! 

Irritam-me as pessoas que continuam a partilhar fotografias de copos de skyr, como se encontrar a porra do iogurte fosse por si só um ato de valentia. É iogurte, não é nenhum troféu e garanto-vos que ninguém vai ficar subitamente magro e fit por comer iogurte! É iogurte!!
Neste campo da comida, nem vou entrar no que me irritam os pequenos almoços fit, só com claras de ovos e pós milagrosos, porque tenho um livro para acabar e o tempo escasseia!

Além disto, irrita-me a sobrevalorização da sexta feira e a desvalorização da segunda. Coitadinha da segunda, que é um dia tão fixe e útil como os outros anda sempre com uma nuvem cinzenta atrás. 

Enfim, estas são apenas algumas das (muitas) coisas que me fazem comichão nas meninges. Também sei que todas as minhas irritações são absurdas, coisa que por si só me irrita! Por isso, urge fazer alguma coisa, porque ando farta de revirar os olhos e parecendo que não, isso mexe com a vista.

Tenho de fazer as pazes com a humanidade. Com as pessoas.
Tenho de ver as coisas pelo que elas são: maioritariamente pedidos de atenção, de mimo, de validação. E pensar no que está por trás. Pensar se posso fazer alguma coisa para ajudar em vez de julgar.

Tenho de fazer o que quero que façam comigo, que é deixarem-me em paz na minha vidinha e que se borrifem para mim quando partilhar, disser ou fizer alguma coisa que possa irritar os outros. 

Tipo escrever textos idiotas.


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