terça-feira

Como um floco de neve


Snowflake by Alexey Kljatov:
Sei que já escrevi sobre isto, mas não me lembro quando e não me apetece procurar. De qualquer maneira, há coisas que devem ser escritas muitas vezes, porque são úteis de recordar.

Para mim, uma das coisas mais assustadoras da vida é achar-se que as pessoas, chegadas a uma certa idade ou estatuto, já não aprendem nada; já não precisam de aprender nada. 
Que já sabem tudo. Acho tristíssimo.
Faço os possíveis para nunca me deixar cair nesta forma de pensar, para nunca achar que já sei tudo. Porque não sei nem da missa um terço.
Quero aprender coisas todos os dias, quero descobrir novos interesses todos os dias, quero poder retirar sempre uma lição, um ensinamento de tudo o que faço e de todas as experiências por que passo. 
Dito assim pode parecer muito lírico, muito simples, mas às vezes há coisas que já sabemos e que, sabe-se lá porquê ou como, vamos esquecendo. Quando as recordamos, quando as trazemos de volta à consciência, podem não ser uma descoberta do momento, mas não deixam de ser menos poderosas por isso.

Sou daquele tipo de pessoas que precisa de falar de tudo e mais alguma coisa. Verbalizo o que penso e sinto com facilidade e muitas vezes é a conversar, a debater que desconstruo as coisas que me incomodam e as entendo melhor. Também gosto de partilhar, de contar coisas às minhas pessoas, mesmo que as coisas não lhes digam respeito. Se estou envolvida nelas, se me dão prazer (ou se me incomodam, se me irritam) sinto necessidade de as partilhar. 
É assim que funciono, é assim que me organizo, que recalibro e para mim não existe a noção de partilha em demasia (isto em relação aos que guardo no coração, evidentemente, que não ando pela rua a comentar os assuntos de ninguém, nem a pôr a minha vida ao sol!).

Por outro lado, sou tão centrada em mim mesma, tenho por vezes tanta certeza de que a minha forma de ser é a mais acertada, a melhor e mais eficiente (e para mim é), que fico sempre muito surpreendida, genuinamente atordoada quando me apercebo (ou me relembram) que nem todos somos iguais. 

As pessoas não são todas iguais - e muito menos todas iguais a mim. Não pensam da mesma forma, não reagem da mesma forma e, sobretudo, não precisam das mesmas coisas que eu preciso para atingir o mesmo nível de satisfação pessoal. 
Por isso, é muito injusto julgar os outros pela bitola com que me rejo, esperar dos outros o mesmo tipo de reação que eu tenho, e é terrivelmente injusto da minha parte, vergonhoso quase, ficar triste, desiludida ou zangada quando acho que os outros não reagem de acordo com os meus padrões ou expetativas. 

Nem todos somos iguais. Não pensamos todos da mesma maneira. Não precisamos das mesmas coisas. Não posso julgar os outros da mesma forma que me julgo a mim. Porque não sou igual a ninguém. Ninguém é igual a mim. Presumir que assim é, é alimentar a injustiça, o egoísmo e uma arrogância que não quero manifestar e que acho que não faz verdadeiramente parte de mim. 

Não sou igual a ninguém. Ninguém é igual a mim. 
A ver se nos próximos tempos não me esqueço disto.
Às vezes tenho dificuldade em aprender algumas coisas e naqueles momento que antecedem a "redescoberta" levo tudo e todos à frente.

Só mais uma vez: Não sou igual a ninguém. Ninguém é igual a mim. 

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