sexta-feira

Be kind...

it's important. @thecoveteur:


Há algum tempo que, cá por coisas minhas, acredito que a melhor resposta para tudo é a bondade. Na bondade incluo a simpatia, a solidariedade, a ausência de juízos de valor e até a tolerância, uma palavra e uma noção de que não gosto particularmente por me parecer quase sempre sobranceira. Mas sim, às vezes é preciso ser tolerante.
Procuro aplicar estes princípios em todos os aspetos da minha vida, com toda a gente com quem me cruzo e até comigo. Também temos de ser bondosos connosco.

Já engoli grandes sapos para responder com bondade, já me magoei e já fiz das tripas coração para ser bondosa para outras pessoas. Algumas merecem o esforço, outras nem por isso. 
Mas faço-o porque acredito que é a melhor abordagem para mim.
Tento sempre que esta atitude seja natural, instintiva, mais um reflexo da pessoa que quero ser e não uma coisa imposta, artificial ou forçada. É que a bondade, a gentileza, a solidariedade e a satisfação de fazer coisas boas alimentam-se a si próprias e chamam umas pelas outras; multiplicam-se, enchem-nos a alma até serem parte de nós. 

Hoje fiz uma coisa que me fez sentir uma cabra e mesmo que tenha tentado contrariar a seguir com boas ações, tenho um peso na consciência, uma mancha no meu linho.

A meio da manhã fui comprar um folhado misto porque não tinha tomado pequeno almoço e estava com fome. Na pastelaria estava uma senhora de leste, meio esfarrapada e encardida a comprar um croissant. Reparei nela porque estava à minha frente na fila, mas não fiz qualquer juízo de valor, nem pensei em nada.

Alguns minutos depois, já no cimo da rua, a mesma senhora veio pedir-me esmola, que tinha fome e gostava de comprar «um triguinho». 
Olhei para ela e depois de hesitar durante dois segundos disse-lhe: «Acabei de a ver comprar um croissant. Com esse dinheiro, comprava dez triguinhos.»
Ela olhou para mim também durante dois segundos e voltou a pedir-me dinheiro para o pão.
E eu virei costas e fui à minha vida.

Dei meia dúzia de passos e comecei a sentir-me tão zangada! Não com a senhora, que tem todo o direito a comprar o que lhe apetecer para comer, mas comigo, por lhe ter respondido desta forma, por ter tido a arrogância de lhe dizer que em vez de um croissant devia ter comprado dez pães. 
Não tinha necessidade nenhuma de o fazer. 
Não lhe dava dinheiro e pronto, continuava o meu caminho sem a ter julgado porque lhe apeteceu um croissant.

Eu sou tudo menos santa, não quero atingir nenhum patamar de perfeição e já fiz muita merda mal feita na minha vida, mas a certa altura decidi que o mais importante de tudo é o que EU sei de mim, o que penso quando me vejo ao espelho, o que guardo no coração e no pensamento. 
O mais importante é a tranquilidade com que à noite deito a cabeça na almofada e consigo adormecer de consciência limpa e cristalina. 
Habitualmente consigo.
Mas hoje sinto-me pesada.
Dei uns passos atrás.

E não sei o que vou escrever para o meu Happiness Jar. Até agora não tenho grande coisa.

*
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2 comentários:

Mariana disse...

Olha, a propósito, a ideia deste artigo tem-me guiado nos últimos tempos: http://www.theatlantic.com/health/archive/2014/06/happily-ever-after/372573/

Mete no frasco que não somos sempre capazes de dar o nosso melhor mas não é por isso que valemos menos. Beijinhos e bom fim-de-semana, miúda

Ana. disse...

Tão bom, Mariana! Obrigada.
Tanto "suminho" num artigo só!

:)