sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Esperança

Even after everything that ive been through the only thing that cant afford to lose is hope, hope in a better future. Hope that someday God will give me some sort of happily ever after....:

Não sou muito de alimentar dores desnecessárias, de sofrer quando não posso fazer nada para acabar com o sofrimento, nem me dou a histerias coletivas ou àquelas ondas que periodicamente avassalam as redes sociais. 
Não vejo vídeos de animais a serem maltratados, não vejo vídeos a puxar ao sentimento, seja sobre as mães, sobre as crianças, sobre os velhinhos, sobre o que for. Não partilho imagens desesperadas de catástrofes naturais nem imagens de guerra. De pessoas em sofrimento então, recuso-me terminantemente a partilhar. A maior parte das vezes essas imagens deixam as pessoas cheias de piedade, de pena, mas não resolvem o que é preciso resolver.
Chamem-me avestruz, acusem-me de enterrar a cabeça na areia e digo-vos que sim, sou pois. Recuso-me a sujeitar a minha alma, o meu coração a desgraças contra as quais não posso fazer nada; recuso-me a ficar em sofrimento. Chamem-lhe cobardia, eu chamo-lhe autopreservação.
Mas sou sensível (talvez até em demasia) ao que se passa no mundo. Choca-me ver imagens de guerra, de desgraças, de tristeza. Fico triste para lá do que é razoável. E na maior parte das vezes não posso mesmo fazer nada. 
Hoje partilhei no Facebook e no Instagram uma imagem de Aleppo completamente destruída. Onde antes existiam prédios, casas de pessoas como eu, agora há apenas montes de tijolos, cinzas e pó. Partilhei a imagem de uma cidade destroçada, mas sei que por baixo de tantos destroços devem estar muitas pessoas. E fiquei também eu em frangalhos. 
O que posso fazer? Eu, euzinha, pequena e insignificante?
Assino as petições que me parecem relevantes e já contribuí várias vezes para campanhas de angariação de fundos, sempre na modesta medida das minhas posses. Mas o que posso fazer mais? A assistência e ajuda internacional não chegam à Síria, as pessoas não conseguem receber ajuda. Os governos que podiam ajudar a resolver isto não o fazem, e imagino porquê. Se Aleppo estivesse sobre imensas reservas de petróleo, a ver se a ajuda não chegava. A ver se as grandes nações não se mobilizavam.
Mas ali não há petróleo, só há pessoas.
Quem pode não faz nada e eu, o que posso fazer?
Não sei mesmo.
...

O que não posso fazer é parar a minha vida, deixar de sentir uma gratidão imensa pela paz que temos aqui no nosso pequeno canto. Não posso deixar que esta tristeza continue a instalar-se no coração, que esta dor de alma alastre. 
Não posso deixar de procurar maneiras de ajudar. Mas como?

A única coisa que posso fazer é ter esperança.

*
*

Sem comentários: