quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Work in progress


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O ser humano não é perfeito, nenhum de nós é uma obra acabada e gosto de pensar que sou um trabalho em progresso, alguém sempre disposto a aprender, a ser melhor, a fazer melhor. Tenho normalmente muita pena daquelas pessoas que acham que já não precisam de aprender nada, de melhorar nada, que chegaram a um ponto da vida em que estagnaram simplesmente e ainda acham que isso é bom. Porque dá menos trabalho. Pode dar, mas também deve ser cá um tédio!
Todos os anos vou procurando estabelecer alguns objetivos, metas que quero atingir - não necessariamente no espaço de um ano, que por norma sou ambiciosa e as coisas a que me disponho demoram o seu tempo (menos no caso do objetivo de aprender a gostar de manga, que demorou aí um mês a alcançar, e que foi lindo de se ver!).
Ultimamente tenho pensado - e sentido - que gostava de me ver livre desta imensa e absurda insegurança que me assalta em tantos aspetos da minha vida. 
Sei o que sou, do que sou capaz, gosto muito de mim. (Estou como o outro, Eu amo-me, adoro-me, já não posso mais viver sem mim!) Mas mesmo assim, às vezes, muitas vezes, demasiadas vazes, sinto-me engolida por uma insegurança que não sei bem de onde vem, que me faz pensar em problemas que não existem, sentir um aperto no peito que não precisa de estar lá e duvidar de tudo o que tenho de bom e valioso. Questiono tudo, o meu valor enquanto pessoa, mulher, enquanto filha, profissional e amiga; tudo, vai tudo na mesma enxurrada. 
E quero que isto mude.

Num dos primeiros livros que traduzi, li uma frase cuja noção me ficou cravada na memória e que dizia que o mundo acredita naquilo que lhe dizemos, no que transmitimos; as pessoas vêem-nos pela forma como nos mostramos. 
Sou alegre, descontraída e bondosa, um bocadinho idiota e leve, simples, de convivência fácil. Acredito muito nos outros, sempre, na bondade das pessoas, na beleza da natureza humana e isso faz de mim um bocadinho ingénua também. E acho que é assim que o mundo me vê. Ou pelo menos quem me conhece melhor. É capaz de haver também quem me ache chata, convencida, mimada ou egoísta, mas não é isso que me incomoda. 
Não é nada disto que quero mudar.
Quero mudar, quero resolver as vozes fininhas que estão por baixo da alegria, da patetice, da boa disposição, que me fazem questionar tudo, que cá no fundo me dizem tantas vezes «Estavas bem era quieta e calada». 

Preciso de afinar os detalhes, de pensar muito (às vezes também acho que penso de mais, mas isso fica para outro ano!), preciso de ver como resolver isto, como me aceitar melhor, como me sentir mais segura e principalmente, como me borrifar para o que os outros pensam.

Porque nesta altura da vida, já não devia ter importância. 

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