terça-feira

Oblivion*

~The Kings Road, Ireland~ - I think of yea though I walk through the valley of the shadow of death, I shall fear no evil, for thou art with me:


Às vezes há pontos de viragem na vida das pessoas. 
Não sei bem como fundamentar esta crença porque é uma coisa que vem cá de dentro e que não consigo explicar de outra forma, mas imagino que a vida - todos os aspetos da vida - são como um círculo, uma roda. Não existe necessariamente um início e um fim, mas um contínuo, um círculo infinito - parece uma coisa saída daqueles programas de grandes questões do universo do Discovery Chanel, mas é assim que o imagino. 
Os dias avançam, as coisas mudam, os acontecimentos sucedem-se, mas acho que há alturas em que algum grão de pó entra nas engrenagens e muda o rumo e o ritmo das coisas. 

Acho que por vezes somos nós que sopramos o grão de pó para o mecanismo, outras alguém sopra por nós. 
Por vezes sabemos exatamente o que perturbou o girar eterno das rodas, outras assistimos incrédulos e ignorantes ao movimento - ou contra movimento.
Era bom sabermos sempre como reagir, como encarar e aceitar as mudanças; pensar se vale a pena. Colocar tudo em perspetiva.

Mas somos tão pequeninos, sabemos tão pouco. 
Podemos contar com pouco mais do que a nossa vontade, com o poder das nossas ações, com o desejo e a esperança que nos enchem a alma. 

Alguém dizia que a ignorância era a maior das bênçãos. Não concordo nem um pouco.





* Uma das minhas palavras favoritas de sempre, de todas as línguas que conheço.
Oblivion (ə-blĭv′ē-ən) -  The act or an instance of forgetting; total forgetfulness: She sought the great oblivion of sleep.

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