terça-feira

Tudo passa


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Ultimamente tenho tido muitas chatices nos músculos. Não só nos músculos, mas também nos tendões e um bocadinho nas articulações.
Não tenho nenhuma doença, não treino como uma maluca (e o que treino é sempre com o maior respeito e consciência corporal), não ando a fazer nada de especial a não ser... trabalhar. A um ritmo moderado.
Já o disse muitas vezes e continuarei a dizer: amo o meu trabalho, quis muito desde muito nova fazer exatamente o que faço hoje e quando me imaginava a traduzir livros nem sequer sabia que seria tão bonito, emocionante e recompensador. Porque é. 
Em termos intelectuais este trabalho preenche-me por completo. Todos os livros são diferentes (mesmo quando são do mesmo autor), viajo sem sair da cadeira e às vezes até parece que não estou a trabalhar. 
Não quero fazer mais nada da vida (além de ser estupidamente rica! Se fosse escandalosamente rica era capaz de deixar de traduzir, mas como não sou, continuo a fazer o que tanto adoro!). 
Mas em termos físicos, os últimos 12 anos estão a começar a sentir-se. 12 anos a trabalhar a um ritmo um bocadinho parvo, nem sempre com a moderação que tenho tido nos últimos tempos, decididamente não com o respeito pelo corpo que tenho agora. 

Pareço uma velha a falar, a queixar-se das maleitas, mas não é exatamente isso que quero fazer. Quero racionalizar os avisos que o corpo me tem dado; quero reconhecer que as dores existem, que vão existir sempre, mas que posso aprender a viver com elas e quem sabe não as levar tanto a peito. 
Quero aprender a trabalhar de forma mais eficiente; num mundo ideal trabalharia menos horas, mas produziria o mesmo (e já que é para pedir, ganharia melhor!)

As queixinhas podem parecer contraditórias porque a ideia geral é que um freelancer escolhe quando quer trabalhar, quantas horas trabalha por dia, quantas paragens faz durante um dia de trabalho. E não deixa de ser verdade. Existe essa liberdade que a maior parte dos trabalhadores não tem. Mas existem também prazos, ritmos que nem sempre se podem quebrar sob pena de não se conseguir apanhar o comboio durante o resto do dia. Existe o medo de se ficar sem trabalho, se não estivermos sempre disponíveis, se não pudermos respeitar os prazos, se o corpo pedir para parar. 
Há casas para pagar, batatas e cebolas para comprar.

Por isso vamos continuando. Vamos trabalhando devagarinho quando podemos, um pouco mais depressa quando é preciso. Vamos descansando quando tem mesmo de ser.
Vamos pedindo que o trabalho continue a chegar, que depois logo se vê!
E vamos acreditando que tudo passa. Tudo se resolve.

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