quarta-feira

Sem ser totó


Do No Harm (But Take No Shit) Decal, Decal Quote, Buddhist Decor, Wall Quotes…:



Acho que há alturas na vida em que conseguimos finalmente olhar para dentro de nós e ver quem somos, sem filtros nem desculpas. Vemos coisas de que gostamos, outras nem por isso. Mas é bom alcançar esta espécie de «clareza». 
É neste ponto que sinto que me encontro agora. Vejo claramente quem sou e o que quero ser. Vejo-me em relação a mim e aos outros. Sei que sou de uma forma quando estou só comigo (ou com o Nuno, que para mim não é pessoa!), e de outra diferente quando estou com os outros.
Sei que tenho muitos defeitos, nenhum extraordinariamente grave ou vergonhoso, mas tenho, são meus e procuro aceitar os que posso e remediar os outros. (Acrescento que não escrevo isto para os meus amigos me virem dizer - Oh, não tens nada, és um amor e nós gostamos de ti assim! Sou de facto um amor, também gosto de mim assim, mas tenho cá as minhas merdas que preferia não ter!)

Agora, partindo deste princípio de que todos são como eu, com os seus defeitos e também com virtudes, que todos somos humanos, todos falhamos (muitas vezes sem querermos falhar), que todos gostávamos de ter uma máquina de viajar no tempo e fazer algumas coisas de forma diferente, o que tenho tentado interiorizar, o que tenho tentado implementar - muitas vezes com um esforço tremendo e um afinco proporcional - é ser bondosa, compreensiva, justa. 
Tenho-me esforçado muito por não fazer juízos de valor, por não «atribuir» sentenças, por não alimentar preconceitos, mesmo que seja apenas dentro de mim, mesmo que não verbalize nada disto. 
Porque se conseguir ser sempre mais bondosa do que é esperado de mim, se conseguir ser sempre mais compreensiva e justa, não só trato melhor os outros como me trato melhor a mim. Sei lá, gosto de dormir descansada sabendo que só não fiz o que não pude. Em todos os aspetos.

Mas às vezes isto tem um custo e aprendi recentemente que preciso também de saber onde é o meu ponto de equilíbrio. Não quero ser velhaca, mas também não quero ser totó.

É esta a minha grande tarefa para os próximos anos: Ser mais bondosa (sem ser totó), ser mais compreensiva (sem ser totó), ser mais justa (já perceberam, sem ser totó). 

Voltamos ao meu mantra preferido: Do no harm, but take no shit.

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