segunda-feira

As Miúdas Mendes




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Há uma coisa muito portuguesinha que toda a gente faz, sem maldade, até com sincera intenção, mas que depois vai ficando para trás até já não se pensar mais nisso. Ou mesmo que se pense, na maior parte das vezes não se age para que a coisa se concretize.
É aquela coisa do "Um dia destes vamos beber um café", "Um dia destes vou fazer-te uma visitinha", "Havemos de lá ir/ de fazer /de jantar/ de combinar isso".
E na maior parte das vezes não se vai, não se faz, não se janta e não se combina.
Na maior parte das vezes.

De há uns tempos a esta parte, andava em conversações com a minha prima para que um destes "futuros" encontros se desse. Gostei muito da ideia desde o início, há muito que não estávamos juntas em ambiente descontraído para podermos pôr a conversa em dia, e apesar de nos mantermos em contacto através do mundo das redes sociais, nunca é bem a mesma coisa do que estar frente a frente e dar um abracinho apertado.

Mas confesso que achei que era daquelas coisas "para um dia".
Até que recebi uma mensagem a dizer "Amanhã estou em Braga, vamos tomar um cafézinho?!"
Raça da miúda veio mesmo! E ainda trouxe uma amiga mais do que querida!

E lá fomos, beber um café, assistir a um inesperado concerto de ópera ao ar livre e passaram-se duas horas e meia sem darmos por elas. Foi tão bom perceber que os anos e a distância não querem dizer absolutamente nada quando a base é boa. Foi tão bom ver-me ao espelho em mais aspetos do que aqueles de que me lembrava!
As miúdas Mendes são todas tão parecidas!

Fiquei de coração cheio, com a vontade de me mexer mais, de sair da toca e ir ter com as pessoas.
Ver fotos e atualizações de estado no Facebook é muito lindo (e útil quando estamos longe) mas não chega. Não é a mesma coisa do que estarmos a pirquenicar no meio da floresta e a conversar descontraidamente como se nos víssemos todas as semanas, como se não se tivessem passado 8 anos desde a última vez que nos vimos, em circunstâncias tão tristes.

Foi tão bom, tão simples, tão descontraído, tão natural!
Para a próxima temos de juntar toda a gente!
Isso é que era mesmo lindo!

8



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3 comentários:

Anita disse...

Tens razão. Planeia-se psicologicamente mas não se passa disso. Eu sofro do mesmo
:(

Helena Barreta disse...

foi por também eu e o meu marido adiarmos idas e encontros que viagens e passeios e cafés com amigos ficaram por fazer. Falamos e agimos, muitas vezes, no futuro e, por vezes, a vida vem e rouba-nos o que dávamos por garantido. Foi o que nos aconteceu, um enfarte agudo do miocárdio, fulminante.Era Verão, era férias. Foi há quatro anos, em Lagos.

Ana. disse...

Um abraço apertadinho, Helena...