quarta-feira

Postas de pescada

“"Speak only if it improves upon the silence."”:

Embora já não perca tanto tempo a ler blogues ou a navegar no Facebook como há uns tempos, ainda dou uma vista de olhos pelo blogroll, ainda dou uma vista de olhos pelo feed do Facebook, não digo todos os dias, mas quase. 
Deixo-me inflamar, comover e indignar por algumas coisas, por alguns textos ou comentários, mas são muito poucos os que me fazem escrever qualquer coisa, responder ou comentar também. Principalmente se forem controversos, pouco simpáticos ou «picanços» provocadores. Não que não tenha nada para dizer, na maior parte das vezes até tenho, mas agora penso sempre se será necessário, se acrescenta valor ao que está dito e sobretudo se me cabe acrescentar alguma coisa. 
Na maior parte das vezes não. Porque quando são coisas genéricas, não especialmente dirigidas a mim, as outras pessoas quererão saber a minha opinião tanto quanto eu (não) quero saber da delas. 
Fácil.

Às vezes, quando leio alguma coisa que me irrita, que me enerva ou que suscita alguma opinião mais fervorosa, escrevo o comentário que me vem à cabeça - exatamente como o queria escrever, seja com asneiras, com arrogância, com raiva, o que for -, leio-o algumas vezes, olho para ele na sua caixinha de comentários, interiorizo que deitei cá para fora o que queria escrever, e a seguir apago-o. Apago tudo, sem pensar duas vezes. Porque na verdade aquele comentário não vai acrescentar nada, não é relevante, não interessa a ninguém. 
Há qualquer coisa de reconfortante em ver as letrinhas no ecrã; e quando digo reconfortante também posso dizer embaraçoso, porque às vezes escrevo e penso: És mesmo parva. Isto diz-se?! Apaga lá essa merda! E apago.
É uma coisa cá minha, uma opção.

A maioria dos comentários e respostas plantados nos social media são nada mais do que uma questão de ego inflamado. E o meu ego tem estado de dieta. 
O que não é mau de todo.

Lentamente, muito lentamente, estou a aplicar também este modo de agir na vida em geral, fora do contexto dos social media. Se antes podia dar a minha opinião quando ma pediam (e às vezes mesmo quando não ma pediam), agora penso duas, três vezes antes de falar. Penso se vale a pena gastar palavras ou se estou só a falar para o boneco. Penso se acrescenta alguma coisa, se quero dizer alguma coisa. E às vezes, mesmo que queira, penso se vale a pena. (Esta expressão é engraçada, gosto de pensar sobre ela: vale a pena...)

Estou a aprender a guardar para mim o que é meu, o que não acrescenta nada aos outros, o que não faz diferença, o que não aquece nem arrefece, o que não vale a pena dizer.

O curioso é que não sinto que isto seja castrador, muito pelo contrário, é libertador saber que decido o destino das minhas palavras, dos meus pensamentos e opiniões. 

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