sexta-feira

É o que é...


it is what it is.. there are something we can change, all we can do just accept:


Há uma expressão que me irrita bastante pelo sentimento de impotência e desalento que transmite. Pela resignação, pela sensação de que não podemos ser e fazer melhor do que aquilo.
Ainda por cima está na moda.

«É o que é». Ou um plural mais compostinho: «As coisas são como são». Pior ainda. Já não é só uma coisa a ultrapassar-nos e a atar-nos as mãos, são várias. É generalizado. 

Não concordo com isto. Não quero concordar, quero acreditar que quando as coisas não estão ao nosso jeito, quando não são como as idealizámos podemos sempre fazer melhor, alguma coisa, qualquer coisa para as alterar. Para as fazer funcionar a nosso favor.

Se andamos a dormir pouco, deitamo-nos mais cedo; se andamos a ver muita trash TV, desligamos a televisão e lemos um livro; se estamos gordinhos e queremos emagrecer, podemos sempre começar a fazer uma alimentação melhor, a fazer exercício; se estamos magrinhos e queremos engordar, a chave da coisa é exatamente a mesma. Se estamos descontentes com a casa, com o trabalho, com o corte de cabelo ou com as cortinas da sala, podemos sempre fazer alguma coisa, qualquer coisa.

Mas depois há aspetos da vida que não sendo responsabilidade nossa, não estando exatamente ao nosso alcance, não dependendo diretamente de nós, são como são. As coisas são como são; as pessoas são como são e a vida é como é.
Podemos dar voltas à cabeça, e ao coração, mas às vezes é preciso respirar fundo e aceitar que é assim que vai ser. É o que é.

É desanimador mas às vezes não há volta a dar-lhe.


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