terça-feira

A justa proporção das coisas.



Por muitos livros, textos e frases inspiradoras e motivadoras que leia, às vezes é difícil não ficar um bocadinho desanimada com as pessoas em geral. 

Já sei que não sou nenhuma pérola da Humanidade, que sou só mais uma de sei lá quantos que anda para aqui a tentar fazer o melhor que sabe com o que tem. Mas, e isto já é uma história antiga, custa-me sempre muito perceber que dou aos outros muito mais do que recebo. 
Custa-me mesmo. Sinto-me pequenina, insignificante. E demoro sempre uns dias a perceber que não o sou.
Já repeti isto muitas vezes, já o li em muitos sítios, já o pus em prática em várias ocasiões, mas está na altura de voltar a dar na justa medida em que recebo, de fazer aos outros não exatamente o que gostaria que me fizessem a mim, mas efetivamente o que me fazem a mim. Se há quem me faça bem sem fim, também há quem me faça menos bem do que aquilo que mereço.
Estou um bocadinho cansada de ser sempre a primeira a dar. 
E não estou a falar de bens materiais, como julgo que é evidente. Estou a falar de carinho, de atenção, de preocupação. 
Mas principalmente de consideração; é isso. Se excetuarmos o mais minúsculo núcleo de afetos que me rodeia, sinto-me muitas vezes desconsiderada, pouco valorizada, pouco apreciada. 

Portanto, está na altura de endurecer um bocadinho. 

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3 comentários:

gralha disse...

Sinto tantas vezes o contrário, que recebo tanto, que me ajudam tantas vezes e fazem tantos gestos simpáticos para comigo. Será que tenho assim uma grande sorte de estar rodeada de pessoas generosas? Será que é uma questão de perspectiva?
Não há nenhum botão que nos torne mais duras, de qualquer forma. No máximo, há daqueles óculos de sol com lentes espelhadas e auscultadores com música boa nos ouvidos.

Ana. disse...

eu também tenho gente maravilhosa à minha volta, gralha, que me ajuda e mima e tudo. mas continuo a ser aquela parola que é capaz de fazer tudo por toda a gente, por qualquer gente, na verdade. e estou a ficar cansada de não ter retorno, de me sentir parola.
não há botão, é verdade, mas querendo, podemos sempre endurecer um pouco, que é como quem diz, aprender a medir as coisas.
(e havias de me ver agora, de auscultadores enfiados nos ouvidos, a ouvir musiquinha chill out!!)
:)

Naná disse...

sofro do mesmo mal que tu... mas não creio que seja uma questão de endurecer... creio que é mais uma questão de assimilar o facto e praticar a indiferença, é mais uma questão de realismo do que endurecimento, a meu ver...