quinta-feira

Rat race.



less is more:

Eu digo muitas vezes que gostava de mudar de vida, mas não é bem mudar de vida que quero.
Gosto da minha vida, amo o meu trabalho e não queria fazer outra coisa. (Um dos medos que tento combater desde sempre, e que julgo que é partilhado pela generalidade dos freelancers como eu, é o de ficar sem trabalho, particularmente este que me dá tanto prazer e satisfação.)
Não é isso.
Nem é deixar de trabalhar para passar o dia a fazer vida de dondoca - assim de repente, acho que me ia saber bem durante uma semana, cinco dias, vá, que estar sem fazer nada dá comigo em doida!

É mudar de estilo de vida, de paradigma.

Queria viver numa casa com terreno, com horta. A casa nem precisava de ser nova, até podia ser velhota, a precisar de rebocos e pinturas. Podia ter chão de betão na cozinha, tacos nos quartos, um pátio de azulejos, uma banheira daquelas com pés de - urso? leão? não fazia mal, até podiam ser pés de rinoceronte.
Uma lareira grande, um forno para cozer pão.
Um terraço ensolarado para fazer yoga.
Queria um sítio onde pudesse plantar ervas aromáticas e vegetais e tomate e árvores de fruto.
Queria ter patos, coelhos e uma cabrinha ou duas. Espaço (seguro) para os meus gatos correrem à vontade! E para ter mais gatos e um ou dois cães.

Queria viver uma vida mais simples, mais limpa.
Queria que o Nuno tivesse um trabalho de que gostasse muito, tanto quanto eu gosto do meu, e que o pudesse fazer em casa, como eu posso fazer o meu. Num sótão branquinho, com chão de madeira e janelas bonitas para deixar entrar o sol. Duas secretárias, duas estantes, um sofá.

Era isto que eu gostava. É nisto que tento concentrar as minhas energias.
É isto. Porque estou a ficar cansada.
Estamos metidos numa roda de hamster e isto cansa.

A vida não pode ser só isto.
Não podemos andar aqui a trabalhar para pagar contas e só nos intervalos das obrigações é que nos ocupamos de nós, dos nossos sonhos, das coisas que nos fazem felizes. É pouco.

Quero mais do que isto.
E querer mais é querer menos, muito menos.


*
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1 comentário:

Anita disse...

Como te entendo!