segunda-feira

Hoje estou um bocadinho lírica!

Sue Downing - SUDPL3:


A minha busca pela paz interior, pela força, pela tranquilidade não é uma coisa recente.

Lembro-me de estar nos anos mais idiotas da adolescência e de me fechar no quarto a pensar. Deitada na cama, sem música, sem luz, sem nada, só a tentar perceber a revolução que grassava dentro de mim, a tentar não gritar, não partir nada, a chorar quando era preciso (era preciso muitas vezes!) e a desenrascar-me sozinha nas épicas dores típicas de uma adolescente, a mais velha de três irmãos e a primeira a testar os limites dos pais e da vida familiar. Não digo que para os meus irmãos tenha sido mais fácil, porque a adolescência é uma altura terrível para toda a gente, mas digo que não recordo esta época com grande afeto. Não gostava muito de mim, não gostava muito de ninguém.

Pensei que "quando fosse crescida" as batalhas fossem desaparecendo, mas descobri que se a nossa natureza for batalhadora vamos sempre encontrar coisas pelas quais queremos, devemos bater-nos.
De há alguns anos a esta parte, mas mais insistentemente no último meio ano, luto por alcançar não um estado de permanente e absoluta felicidade, porque não é um objetivo realista, mas a paz de espírito, a satisfação com quem sou, o orgulho que tenho em mim, na minha postura, na minha maneira de ser e de encarar a vida.
Acredito muito no karma e na lei do retorno, acredito na lei da atração e na velha (e nojenta) máxima de que se cuspirmos para o ar, cai-nos em cima. Por isso tento ser a melhor pessoa que consigo ser, para mim e para os outros, não por medo do que daí possa advir se não for, mas por convicção de que se deve tratar toda a gente como gostaríamos de ser tratados, por acreditar que se espalharmos bondade, carinho e compreensão, é exatamente isso que recebemos em troca.

É aqui que reside a minha paz; no facto de saber que sei ser educada e cordial mesmo para as pessoas que não merecem a minha educação e cordialidade; no facto de amar sem limites porque não sei amar de outra forma; no facto de que consegui finalmente, aos 41 anos!, olhar para dentro e dizer: Gosto de ti. Gosto mesmo de ti!

Quando tinha 15 ou 16 anos, sabia que este dia ia chegar.

Tenho ainda arestas a limar, só devo estar perfeitinha lá para os 88 anos, mas até lá imagino o caminho por entre prados de papoilas e dentes-de-leão, sempre à beira de um regato, com pinheiros aqui e acolá e um céu azul com nuvens brancas de todas as formas!
Uma brisa que renova a cada inspiração, o coração cheio, os dedos entrelaçados na mão que me segura quando o passo me falha.

Ah, e cascatas, arco-íris e um unicórnio ou outro!

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