quarta-feira

Mesmo bem!

O título é um bocadinho pomposo e assustador, mas o conteúdo é para lá de bom!

Apesar de não me considerar uma pessoa medrosa, há duas ou três coisas que me assustam como gente grande e que às vezes assumem contornos quase absurdos. 
Já falei antes que tenho muito medo que o Nuno morra, que adoeça ou que lhe façam mal e o magoem de alguma forma, espécie ou feitio. É um medo justificado se pensarmos que é o homem que amo, a pessoa mais importante da minha vida, aquele que quero ao meu lado até sermos velhinhos e andarmos à briga porque é a minha vez de pegar no andarilho.
Mas no outro dia o Nuno foi à padaria comprar pão para o pequeno almoço. Ora bem, a padaria fica três prédios acima do nosso, ir e vir são cinco minutos. E ele demorou um quarto de hora...
Já me sentia viúva, já estava numa angústia sem fim, porque lhe podia ter acontecido alguma coisa (nem precisa de atravessar a estrada, que a padaria fica do mesmo lado da nossa casa), porque se calhar teve um ataque cardíaco e está estendido no chão, se calhar houve um assalto na padaria e está com uma pistola apontada à cabeça, se calhar, se calhar... As hipóteses são inesgotáveis nesta minha cabeça idiota que não se lembrou que ele podia ter encontrado alguém conhecido, como um antigo colega de trabalho e estavam a pôr a conversa em dia. Porque foi isso mesmo que aconteceu.
Idiota é pouco, hã?

Não penso nestas coisas todos os dias, mas quando penso é coisa para me deixar com arritmias, com tonturas, com uma pressão no peito que parece que as costelas estão a encolher todas ao mesmo tempo. Por este andar, quem ainda tem um ataque sou eu.  E lá fica o rapaz com o andarilho só para ele!

Portanto, decidi meter mãos, ou olhos, à obra e começar a ler sobre o que diabo se passa com estes medos irracionais. 
Encontrei um livro muito bom, que me está a dar grande prazer ler e que já me fez perceber algumas coisas, sendo que a principal é que não sou a única maluca a deixar-me domar pelo medo e pela preocupação excessiva. Parece que até é uma coisa mais ou menos «aceitável» quando se é demasiado emotivo e se coloca a ênfase nas emoções ao invés de na razão e na lógica. Mas diz o senhor médico que esta é uma das formas em que as pessoas se dividem - emoção vs razão - e que não é preciso mudar quem somos, basta entendermos melhor como funcionamos e criarmos estratégias para domar as feras (o medo e a preocupação - que podem ser até reações químicas, vejam lá!) 
Tem qualquer coisa que ver com a amígdala - a do cérebro, não a da garganta! Tenho de ler melhor essa parte! 
Mas são boas notícias, afinal sou capaz de não ser maluca de todo.

Ainda só vou a um quarto do livro e já aprendi tanto, já identifiquei e percebi muitas coisas. 
Acho que quanto mais nos educarmos, quanto mais soubermos, quanto mais nos dispusermos a entender o que se passa dentro de nós, maior paz e serenidade alcançamos, mais felizes somos.

Este ano está a ser fértil em revelações, em iluminismo! 

E sinto-me bem com isso! 


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2 comentários:

Raquel disse...

"...aquele que quero ao meu lado até sermos velhinhos e andarmos à briga porque é a minha vez de pegar no andarilho." MUITO BOMMMMM! A gargalhada que soltei!! Obrigada!
E além da "parte cómica" do texto é bom lembrar que este é o caminho a seguir: "quanto mais nos educarmos, quanto mais soubermos, quanto mais nos dispusermos a entender o que se passa dentro de nós, maior paz e serenidade alcançamos, mais felizes somos." Ana és incrível!

Ana. disse...


Oh, obrigada Raquel!!
É que as coisas chatas ficam menos chatas se trouxerem um sorriso ou uma gargalhada agarrados!

:)