quinta-feira

Great Expectations

Expect nothing and appreciate everything. Expectations can leave us feeling hollow and disappointed. These assumptions are often ones we place upon others as well as ourselves and when they aren’t met, we tend to reflect negatively.  Read more...:



Shakespeare disse que a expetativa é a causa de todos os desgostos.  
Bem, a frase dele é bastante mais bonita, porque em inglês tudo tem uma sonoridade mais poética, mas a ideia é esta e o Wills sabia o que dizia!

Às vezes a expetativa anda ali de braço dado com a esperança, com o desejo, até com a coragem, mas sozinha, por si só, não vale grande coisa e pode realmente dar-nos cabo da cabeça.

Explico: já sabia no início do ano que janeiro ia ser um mês muito exigente, principalmente em termos de trabalho, que não ia poder ter muitas folgas, que a tarefa que me esperava era quase monstruosa. 
Estava (estou) felicíssima com o trabalho, que adoro e que continua a dar-me muito prazer, não obstante o cansaço físico. 
Porque também me conheço muito bem e gosto muito de pensar que trabalho bem sob pressão, que me despacho quando sinto os prazos a queimar-me o rabo e blá blá blá, achei que sim senhora, vamos lá dar cabo disto tudo assim como quem acorda um dia e Oh, está feito...
Pois.
Expetativa.

Porque vai-se a ver e a vida não é só trabalho. Eu não sou impermeável, não consigo alhear-me e tudo o que vai acontecendo nos meus dias influencia, de uma forma ou de outra, a produtividade.

Nesta história do «Espero conseguir, não, VOU conseguir!» houve algumas coisas que não levei em séria consideração: as horas de sono, o descanso, o desligar do botão. A paz de espírito. O coração. 
Gostava muito de ser como o outro senhor que só dorme 4 horas por noite e anda sempre fino como um alho, mas não sou. Preciso de dormir para poder andar bem, para conseguir ver as coisas sob outra luz, para conseguir lidar com a vida e conseguir ter coragem.

E em janeiro voltei a não dormir bem. Precisamente porque sabia que PRECISAVA de dormir, que TINHA de dormir, passei noites e noites em claro a pensar em tudo e em mais um par de botas. 
Claro que cheguei ao fim do mês com objetivos por cumprir e a sentir-me frustradíssima por não ter conseguido fazer tudo o que queria, tudo o que me propus fazer, tudo o que ESPERAVA fazer.

A expetativa não é má, desde que seja realista. Até pode ser um bom motivador, uma peça na construção da nossa auto-estima quando vemos que conseguimos atingir os objetivos. Mas tem de ser realista.
A minha não era!

Resta dizer que em janeiro aprendi muito sobre mim, sobre os meus limites, sobre quem sou em várias esferas da minha vida e isto foi muito bom. Não foi um mês brilhante, mas foi o mês em que construí alicerces bons para o resto do ano, para o resto da vida. Em que percebi muita coisa. 
Por isso também teve o seu lado positivo.

#bringingpositiveback

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