terça-feira



Philippians 1:6:



Às vezes gostava de ser crente em Deus.
Deve ser um consolo muito grande entregar as coisas na mão de alguém que se considera superior quando sentimos que somos pequenos para lidar com elas. Deve ser bom confiar que há um plano divino que corre sempre pelo melhor, que há alguém a abrir caminho e a dar luz.
Mas nem sequer sei se Deus só serve para isto, para ajudar. Para alumiar. Não sei se serve só para não nos sentirmos sozinhos e perdidos no mar de coisas que recheiam a vida. Não sei bem o que é preciso para ter fé, o que é que faz com que Deus tenha fé em nós.
Porque deve ser uma coisa que tem dois sentidos, não é?

Sempre que tento falar disto, ou que peço que me expliquem, as respostas só me confundem mais, fico ainda menos convencida de que a fé existe. Que é útil, palpável. E nem vale a pena ir à igreja, porque esse discurso então, não me diz absolutamente nada. A fé que gostava de ter não é na igreja, nos homens, mas sim em qualquer coisa que nem sequer me fizesse pensar. Que não fosse uma coisa consciente, pensada. Que se sente e pronto.
Se calhar, sinto que não acredito, que não "entrego a Deus", porque não sinto essa fé.

Mas às vezes dava jeito.

*
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2 comentários:

gralha disse...

Bom, já que perguntas... :)

A Fé não é uma coisa de dois sentidos, em sentido estrito, porque o amor de Deus é incondicional. Ele não está à espera que nos "portemos bem" nem que façamos para merecer.

É muito bom às vezes pensar "faça-se a Tua vontade" (e os resto logo se vê), sim. Estou agora a viver um momento desses.

Sozinha sinto-me na mesma, às vezes. Menos do que as outras pessoas? Não sei, se calhar. Porque a Fé não é linear nem constante. Às vezes consiste em esperar.

A Fé associada à Igreja - que é a comunidade dos crentes e não o conjunto de padres/frades/freiras - faz diferença, na verdade. Aquilo do não ser linear e constante? Ao haver um conjunto de pessoas que respeitas (felizmente eu conheço muitas porque não me limito a ler as notícias sobre a Igreja, vou à igreja todos os dias) que dá testemunho, passa pelas tuas angústias, encontra saídas, está lá contigo, isso faz muita diferença.

Em suma, a Fé é um dom. Descobri-la é um mistério. Mas garanto que se te sentares em silêncio a meditar sobre estas coisas já deste o primeiro passo no caminho.

Ana. disse...

Obrigada, gralha. Deste-me aqui pano para mangas!
:)