segunda-feira

Dangerous creatures



“Words—so innocent and powerless as they are, as standing in a dictionary, how potent for good and evil they become in the hands of one who knows how to combine them." ~Nathaniel Hawthorne:



Sem estar aqui com falsas modéstias, que falta de modéstia também é defeito, eu tenho jeito com as palavras. Tenho talento para as juntar, para lhes atribuir sentido, intenção e significado.
Gosto de escolher as palavras que traduzem melhor os meus pensamentos e quando se trata do trabalho, sou do mais picuinhas que há com a menor diferença de significado, registo e carga semântica.
Sei interpretar bem o que os autores quiseram dizer, percebo sem dificuldade o contexto em que as palavras se inserem e julgo que faço o mesmo com as pessoas que me rodeiam.

Não sei se todos encaram as palavras desta forma, se lhes atribuem a mesma importância e protagonismo ou se há quem não se esforce por encontrar o termo indicado e se fique pelo primeiro que lhe vem à cabeça. Para mim não é assim, mas ultimamente também tenho vindo a aprender que somos todos diferentes. O que serve para mim, pode não servir para os outros, o que satisfaz os outros não tem necessariamente de me satisfazer a mim. (Estamos a falar de palavras, mas podíamos estar a falar de variedades de maçãs. Ia provavelmente dar ao mesmo.)

As palavras marcam, definem, constroem e derrubam; informam, emocionam e fazem sonhar. São armas, ferramentas poderosas e muitas vezes traiçoeiras. E é preciso ter talento para fazer delas nossas aliadas. Para não lhes dar mais significado do que aquele que elas têm, para não lhes dar importância acima de qualquer coisa. É preciso deixá-las ocupar o seu lugar, o espaço e o tempo que lhes compete e tratá-las com cautela e uma certa reserva.

Como fazemos com todas as criaturas perigosas. 



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