quinta-feira

São gostos!


Yeah.:

Às vezes fico um bocadinho na dúvida em relação a alguns livros que leio, ou melhor dizendo, em relação a alguns livros que tento ler e não consigo...
Porque quando há quinhentas mil edições de determinado livro, já com lançamentos no estrangeiro (e até em mercados presumivelmente exigentes), quando TODA a gente fala do livro e cita passagens por dá cá aquela palha, quando se geram movimentos de absoluta adoração em torno de histórias que não consegui ler, fico a achar que o problema deve ser meu.
Leio de tudo um pouco, mas há alguns livros em que não passo da página dez ou 15... Não consigo, não desce. Demorei muito tempo a ganhar coragem para deixar um livro a meio (ou nem isso), porque antes parecia-me quase um sacrilégio. Li muitos livros de que não gostei porque tinha a esperança de que a coisa animasse, ou que o fim justificasse o início e o meio. E lembro-me de dois ou três casos em que esta teimosia compensou. Mas não mais do que isso.
Depois percebi que o tempo é um bem escasso para ser gasto a ler coisas que não me interessam logo e embora consiga ser paciente com alguns autores de quem gosto muito, com os outros nem por isso. Se nas primeiras 20 páginas não me conquistarem, azarito!

Assim sendo, estranho quando não consigo passar da página 10 num livro que (quase) toda a gente ama de paixão e cita e partilha e fotografa para o Instagram e outros que tais.

É capaz de ser defeito meu, mas é assim que crio as minhas embirrações de estimação...

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3 comentários:

gralha disse...

Tenho de te dar a minha morada para me mandares o Purity?

Olha, por exemplo, o Infinite Jest deu-me uma trabalheirazorra que não dá para descrever. Mas é mesmo, mesmo bom. Já ao Quarteto de Alexandria, mandei-o dar uma volta ao fim do dueto. Há poucos anos e menos olhos ainda para tanta coisa que quero ler.

Ana. disse...

É isso mesmo, gralha, poucos olhos e pouco tempo!
Eu não resisto ao Jonathan Franzen! Por exemplo, o Liberdade foi um dos livros em que me custou a entrar, porque não conseguia sentir empatia por personagem nenhuma - eram todas tão cruas e cheias de defeitos que demorei algum tempo a entender que na verdade elas eram o produto de uma escrita extraordinária; quando entendi isto consegui ver a história pelo que ela era e no fim adorei o livro! É preciso talento para fazer com que o leitor deteste tantas personagens de forma tão figadal (eu chegava a sonhar com eles e a ficar zangada com o que diziam ou faziam!!).
Quanto ao Purity, comprei em e-book e agora à hora do almoço ia dar só "uma vistinha de olhos": li 37 páginas de uma assentada!
O que eu adorava traduzir um livro dele!! #translatorsgoals

laranjinha de cinco disse...

isso acontece-me tanto...
não consegui ler o cem anos de solidão, por exemplo, e é mesmo com muita pena, porque acredito que tem mesmo de ser um bom livro... mas olha, acho que o meu tempo é tão curto, que aprendi a desculpar-me deixar os livros no inicio e a andar em frente para ler um de que goste mesmo:)