quarta-feira

Nem o etarra escapa!


Rolled my eyes and saw my brain.: Rolled my eyes and saw my brain.


Eu nunca digo que "perco tempo", normalmente acho que faço "investimentos de tempo", porque ou aprendo alguma coisa, ou não aprendendo divirto-me com o que faço, vejo, leio, experimento e por aí em diante.
Pois...
Ontem perdi uma hora e meia, mais coisa menos coisa, a ver a adaptação do livro da Margarida Rebelo Pinto (ou Pinto Rebelo, nunca sei a ordem do nome dela) ao cinema, o Sei Lá. É do Joaquim Leitão, portanto talvez fosse bom.

Como explicar?!...
O livro é mau, tão mau, tão fraquinho, daqueles que deixam um sabor amargo na língua quando se chega à última página e já não existe a menor hipótese de redenção. Mas li-o. Na altura era nova e não sabia o que fazia. Perdoa-me Senhor!
Porém... não contente com o desperdício de horas úteis na leitura desta obra prima da literatura ligeira portuguesa (coff, coff), sentei-me no sofá com a Camila ao colo e vimos o filme! Vi eu, que a gata é bem mais esperta do que a dona e adormeceu no fim da primeira cena.

É tudo mau, ainda mais fraquinho do que o livro, se é que isto é possível!
A dicção dos atores é má, tão má, a interpretação de quase todas as personagens é má (basta dizer que quem tem mais piada e naturalidade é a Rita Pereira; afirmação grave, bem sei!), os diálogos são sofríveis, a voz off da Leonor Seixas uma monotonia sem fim, e a forma como todos repetem ad nauseum a palavra "puta", assim com os lábios a fazer biquinho e quase a colocar um "i" antes do "u", é de rir! Ou chorar, não tenho bem a certeza.
E o senhor Cerdeira a fazer de polícia galã?! A sério? Não havia por aqui ninguém mais convincente, e mais importante do que isso, mais jeitoso?! É que quando os argumentos são fracos, um colírizinho para os olhos do espetador costuma resultar. Neste filme não se escapa um, nem o etarra, que ao ler imaginei assim uma espécie de Gael García Bernal de boina ao lado. E saiu-me um bocadillo sem jámon!

Eu tento gostar de cinema português, juro que tento, mas não consigo. Não me lembro do último filme português que vi e de que tenha gostado. Não sei se é da familiaridade com a língua, se são as interpretações que me parecem sempre tão fraquinhas e forçadas, se são os diálogos que por tanto quererem parecer naturais e atuais são sempre uma banhada ou se é uma espécie de embirração minha.

Mas ontem perdi tempo.
E agora preciso de fazer reset na memória.

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1 comentário:

Naná disse...

Isso é que foi um exercício de masoquismo! Bolas... Ana Mê, what were you thinking??!!

O filme que mais gostei em português, foi mesmo a Gaiola Dourada, com todos os estereótipos contidos. Mas lá está... foi escrito e realizado por um luso-descendente, se calhar por isso conseguir distanciar-se o suficiente do tradicional filme português parado e secante!