terça-feira

E consegui!


A caminhada foi fantástica, um sucesso, diria!

Claro que custa, até porque não eram 30, mas sim quase 35 quilómetros! Custa andar às escuras, confiando apenas nas lanternas e em quem já fez o percurso antes, custa subir a encosta da serra por entre pedras e sulcos, silvas e terra enlameada; custa descer a serra sempre a travar e a sentir os dedos dos pés a bater na parte da frente das sapatilhas, os joelhos a dizer que não, assim não brincam!
Custa.
Mas é lindo!
Subimos uma segunda encosta, tramadíssima, ainda pior do que a primeira, em que as coxas pedem socorro porque cada passo é um esforço, e quando chegámos lá acima o dia tinha rompido, o céu estava a começar a ganhar cor. Quando comecámos a descer, a paisagem abriu-se à nossa frente, linda, verde, azul, com direito a amoras acabadinhas de colher e cavalos selvagens que nem deram pela nossa presença.

Pensei muito durante este percurso, não encontrei o sentido da vida, nem ganhei devoção pelo santo inspirador da aventura, mas pensei em coisas em que não pensava há algum tempo e percebi que basta propor-me a fazer alguma coisa, que ela acaba feita. E isto para mim é uma lição valiosa, que quero guardar.

O que mais me custou, não tanto na noite de sábado para domingo, mas nestas duas noites que já se passaram foi conciliar o sono. Troquei completamente as voltas à coisa. E logo agora, que tinha começado a seguir um ritmo tão certinho (que me custou muito a alcançar, diga-se de passagem).




Ainda assim, continuo a dizer que vale a pena ter este tipo de aventuras.
Pelo desafio, pela companhia, pelo esforço físico que me deixa abrir a mente e pensar nas coisas sem desculpas ou subterfúgios, pela sensação de força e paz que vem no fim, ao ver que sim, consegui e se calhar sou mais resistente do que pensava.
Por isso... venha o próximo!













As fotografias não fazem justiça à paisagem, como sempre!



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5 comentários:

Raquel disse...

Um dos desafios mais bonitos e inspiradores a que me proponho todos os anos. Quando termino estou sem dúvida mais forte, mais tranquila, mais eu...

gralha disse...

Cheers, miúda! Assim é que é :)
Agora toma nota: 26 de Setembro, Serra d'Arga. Diz olá aos meus pais quando passares por eles. E no dia seguinte podes ir dar-me uma malguinha de sopa há muito prometida, quando estiver a correr os 53km do GTSA ;)

Ana. disse...

Jeeeesus, gralha, 53K?!!
És a minha heroína, caramba!
Boa sorte, força nas pernas e tranquilidade na cabeça!
:)

Ana. disse...

É uma sensação diferente, Raquel, não é?
Nós somos pequeninas, mas como diz a Rita, somos muitáfortes e muitáboas!!
:)

Amigo Imaginário disse...

A mim o que mais me tocou, neste teu post, foi a questão de teres trocado os sonos. Também demorei muito a trocar as voltas ao morcego tradutor que há em mim e sei o valor que agora dou aos sonos retemperadores a horas correctas. Posto isto, força! Agora que começaste essa aventura, há que continuar.