quarta-feira

É melhor não pensar...




Hoje ia a passar no centro e cruzei-me com um senhor muito entretido a falar sozinho. Ainda olhei duas vezes para ver se levava um daqueles auriculares muito em voga na viragem do século, mas não, não levava nada na orelha e nem tinha ar de quem tem sequer este tipo de gadgets. O que tinha era um olhar um bocadinho lunático e fiquei a pensar que este é um dos meus maiores medos: perder o juízo. É muito engraçado dizermos na brincadeira que somos doidos, uns grandes malucos e que de médico e de louco todos temos um pouco... Mas perder as capacidades intelectuais, perder o controlo do que vai dentro da nossa cabeça enquanto o corpo continua aparentemente saudável deve ser das piores coisas da vida. Vivermos com um pensamento que não dominamos, mergulhados numa realidade que é tão distinta da dos outros assusta-me muito. Perder o domínio do corpo quando a mente está lúcida e viva não há de ser muito melhor, mas se tivesse de escolher julgo que escolhia manter a cabeça no lugar, as faculdades mentais, emocionais e intelectuais de que tenho consciência. 
Sei que não podemos viver com medo, mas quando penso nestas cenas fico aterrada. E triste.


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