quinta-feira

Sete anos

Este é o castelo de Torres Novas, o castelo do meu avô Custódio,
que foi lá jardineiro durante muitos anos 



O dia de ontem, 1 de abril, dia das mentiras, um dia engraçado para muita gente, e o dia de hoje, são dias tristes para mim. Não acho piadinha nenhuma às mentiras que se inventam, às notícias falsas e à generalidade do dia.
Mas nem sempre foi assim.

O meu avô Custódio morreu a 1 de abril de 2008. Foi a enterrar no dia 2. No ano que achei que ia ser o melhor de sempre, porque faço anos a 08/08 e ia ser uma data do caraças. Não foi. Foi um ano terrível.
Às vezes acho que ele ainda está vivo, porque há 20 anos que estou a 300 quilómetros de distância e já não o via com muita frequência. Depois passo ali pela fotografia do hall e cai-me a ficha. Já não está.
Já não tenho avós e guardo as melhores recordações e carinho dos três que conheci, mas o avô Custódio esteve sempre ali na casa em frente, para me dar explicações de matemática e 20 escudos para comprar um bolo, quando eu andava no ciclo. Quando vim para a universidade, dava-me cinco contos para beber uma cerveja, sempre com o mesmo aviso: Bebe uma cerveja, mas não bebas café, que isso é um veneno!

Desculpe lá avô, mas bebo muito mais café do que cerveja!

O avô Custódio não se metia na vida de ninguém, adorava o Nuno e só queria saber se tínhamos trabalho. Então e o trabalhinho, está a correr bem?
Ficou todo orgulhoso quando lhe expliquei o que fazia, Traduzo livros, avô, eles vêm em inglês e eu ponho-os em português. Então mas tu falas inglês? E escreves livros? Não escrevo, traduzo. Oh, é a mesma coisa!

Era um querido, sempre todo janota, perfumado, com o seu alfinete na gravata.
Tenho sempre saudades dele, mas nestes dois dias, ainda mais.

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