quarta-feira

Não se zanguem comigo


A propósito do exame aos professores:

Os meus primeiros cinco anos de universidade foram passados num curso de ensino. Estava a tentar ser professora de inglês e alemão quando a coisa me começou a cheirar a esturro e decidi mudar para Línguas Estrangeiras Aplicadas, sempre de bússola apontada para a tradução, que já na altura me deixava com borboletas na barriga.
Tenho por isso muitos amigos que concluíram o curso de ensino e que são hoje professores.
Sinto sempre um grande respeito por quem ensina, porque sei como é difícil, e por quem consegue fazer aquilo que eu não consigo!
Mas, e que me perdoem os meus amigos e os excelentes professores que me foram passando pela frente, não acho admissível que as pessoas que ensinam as crianças e jovens das nossas escolas escrevam com erros ortográficos.
Parece-me perfeitamente justificável que um professor de línguas não entenda de estatística, ou que um professor de física e química não entenda de linguística, mas erros ortográficos na língua materna? Não encontro justificação.

Não estou aqui a discorrer sobre as estratégias e planos do ministério, que desconheço por completo, nem sobre a sua justiça ou falta dela, mas parece-me uma simples contradição de princípios um professor dar erros básicos.

E é preciso fazer alguma coisa.

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6 comentários:

gralha disse...

Assino por baixo. Mas acho que a maioria das queixas está na forma da avaliação e não na existência de avaliação em si.

M. disse...

Concordo contigo, é inadmissível que alguém que ensina outros não conheça a sua própria língua. Como tu, estudei línguas, no caso Línguas e Literaturas Modernas - variante de estudos Portugueses e Franceses e depois fiz a Pós-Graduação de Tradução de Francês. Nunca senti o "chamamento" para dar aulas, pelo que na licenciatura fiz as 2 vertentes do curso (ensino e tradução), passando por cadeiras de Linguística e de Teoria/Prática de Tradução que muito me trouxeram no que diz respeito ao conhecimento da língua. Tenho muitos ex-colegas de curso que foram/são professores e que sei terem boas bases linguísticas e que dominam perfeitamente o idioma materno. Será que os dados revelados quanto a erros de ortografia em professores que fizeram as provas de avaliação se referem a professores de outras áreas do saber? Mesmo assim, por brio profissional, sabendo que transmitem os seus conhecimentos a outros, deveriam ter especial cuidado na aquisição de competências linguísticas para não terem esse tipo de falhas.

Naná disse...

Não querendo defender ninguém, mas eu que sempre me considerei uma pessoa sabedora da língua materna e me gabava de não dar erros ortográficos, tenho que admitir que desde a entrada em vigor do novo acordo ortográfico, já tenho dúvidas em relação a algumas palavras e como se escrevem correctamente... não sei se isso poderá ter tido influência.

No entanto estou totalmente de acordo contigo e só para veres o quanto, no ano lectivo passado, a professora do pré-escolar do Filipe mandou-me um recado em que dizia qualquer coisa como "para poder-mos"... até me arrepiei!

Ana. disse...

Naná, confundir à com há e usar mal os ç não é consequência do novo acordo, é mesmo uma falha grave de ortografia!
E tens razão, até se me arrepia a espinha!

Ana. disse...

gralha, eu até concordo com a avaliação, porque os meus trabalhos, por exemplo, são constantemente avaliados e se em revisão surgirem muitas falhas minhas, também sou chamada à atenção. Claro que fico irritada, mas isso ajuda-me a ser melhor, mais atenta e cuidadosa.

Mas independentemente da forma de avaliação, há coisas que acho que não têm justificação...

Amigo Imaginário disse...

Na Bélgica, um professor estrangeiro tem sempre de passar uma série de exames linguísticos muitoooo rigorosos, porque a ideia é mesmo essa: até pode haver falta de professores, até podes saber muito sobre o que leccionas e teres as melhores qualificações possíveis... dás erros, estás fora. Sem apelo nem agravo, que não há cá hipótese de repetir os exames. Ah... e são exames orais e escritos. Porque quem dá erros ortográficos, também tende a dar erros semânticos, sintácticos... e orais, infelizmente.

Para os nativos o rigor é o mesmo, mas durante os estágios (que são verdadeiros filmes de terror).

Pronto, aqui fica o (longo) testemunho... :)