terça-feira

Não há mesmo palavras.

Há coisas que nem sei como se escrevem.
São tão absurdas, tão difíceis de conceber, tão inacreditáveis que as palavras não são realmente suficientes. Não se inventaram ainda palavras para justificar a morte. Seja a morte de uma criança, que para mim é das coisas mais atrozes que posso imaginar, seja a morte de um casal. Um casal divertido, novo, com dois filhos finalmente criados. Ainda que saiba muito pouco, fui acompanhando através da minha tia o percurso de um casal modesto que se esforçou imenso para conseguir criar dois filhos, dar-lhes uma boa educação, dar-lhes bases para uma vida boa. Agora que os filhos estavam prestes a começar a trabalhar, os pais iam poder finalmente gozar um pouco mais a vida, aproveitar os anos dourados.
Morreram ontem num acidente de carro em Espanha. E a filha, que ia com eles e que começaria a trabalhar num emprego de sonho em outubro está internada em estado grave.
Eram os melhores amigos dos meus tios, família.
Ele era meu compadre.

E estou para aqui com o coração do tamanho de uma ervilha, com uma vela acesa para a filha ficar bem e o filho aguentar o choque de ter ficado sem pai e mãe num piscar de olhos.
É absurdo.

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3 comentários:

Helena Barreta disse...

Um abraço muito sentido pela sua perda, mas um ainda mais apertado para a família, principalmente ao filho e pais do casal. Que a jovem recupere do acidente e depois à vida sem os pais.

Lamento sempre muito estas partidas que alguns de nós levamos da vida.

É a primeira vez que comento as suas palavras, mas, tristemente, hoje não podia passar e ficar em silêncio. Coragem.

Ana. disse...

Muito obrigada pelas suas palavras, Helena.

Melissinha disse...

Meu abraço grande. A minha vela já foi acesa para esta família, Ana. Paz aos que foram, consolo aos que ficam.