segunda-feira

A meio?

Sim, sim, é esta a ideia!



Daqui a uns dias faço 40 anos.
Não estou muito (nada) preocupada com o número, porque há mais de dez anos que digo que a idade se sente no espírito e no coração, não nos algarismos. Claro que isto é conversa de quem está a envelhecer, de quem sente que os números importam para os outros mesmo que não importem para nós, de quem ficava eternamente nos 28 se pudesse, porque é um número bonitinho e redondinho.
O que me preocupa nos 40 anos é pensar que já devo ter chegado ao meio e embora não ache necessariamente que daqui para a frente é sempre a descer, a verdade é que se este for o meu meio, começa agora uma estranha contagem decrescente.
É verdade que me sinto bem, que sou muito melhor agora do que há 20 anos, isso é absolutamente indiscutível, e não gostava de voltar a ter 15 anos, ou 18 - fiz tanta parvoíce, tanta burrice, era tão totó, tão fraquinha que confesso que não guardo grande amor pela adolescente que fui. Toda a gente tem adolescências (mais ou menos) estranhas e a minha não foi exceção. Acho que só comecei a viver verdadeiramente, a tornar-me na pessoa que sou hoje depois de ter saído de casa. Vir estudar para uma terra desconhecida, ter de recomeçar tudo de raiz, fazer amigos, estabelecer rotinas, aprender a gerir dinheiro (ainda que muito mal!!), ter a responsabilidade de me alimentar, de me manter em segurança e de saber como e quando me podia divertir, foi a melhor coisa que me aconteceu. Eu não seria eu se tivesse ficado na minha terra. Podia ser outra, se calhar melhor ainda do que sou hoje, mas não era esta eu, de quem aprendi a gostar tanto.
Não fiz este percurso sozinha. Tive amigos ao longo do caminho, e tive o Nuno quase desde que cheguei a Braga. Metade do que sou hoje é obra dele, mas isso fica para outras crónicas!

A poucos dias de fazer 40 anos tenho tantos objetivos, tantos sonhos, tantas coisas que ainda quero fazer, lugares que quero visitar, que às vezes acho que mais 40 anos não chegam.
E tenho muito para aprender. Quando era miúda, achava que se chegava à idade adulta a saber tudo o que havia para saber. Que mal se fazia, sei lá, 30 anos, não havia mais surpresas, mais novidades, que era uma questão de gerir o tempo e a sabedoria. Achava eu que se com 16 ou 17 anos já sabia tanta coisa, certamente não havia muito mais a aprender.

Eu bem digo que era uma adolescente parvinha!

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2 comentários:

Melissinha disse...

Quarentona mais linda! :D

Carla Isabel disse...

Eu fiz 40 em Maio!:)

Não me sinto com 40, nem sei como era suposto sentir-me, o importante é sentirmo-nos bem!

Beijinho