segunda-feira

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As convenções sociais servem para catalogarmos quase tudo na vida, as coisas, as pessoas, os sentimentos. Não que sejam a única maneira de nos adequarmos à vida moderna, dita civilizada, mas é um bom indicador do que "podemos" e "não podemos" fazer.
Convencionou-se que é feio interromper quem está a falar e provavelmente só o fazemos com maior descontração quando estamos entre amigos.
Convencionou-se que é mais elegante referirmo-nos a alguém como sendo "de raça negra", em vez de lhe chamarmos "preto"; que não devemos dizer mal de alguém nas suas costas; que nos restaurantes os guardanapos de pano devem ir para o colo e que não se diz a uma nova mãe que o seu bebé recém-nascido é feio (a este respeito há uma convenção muito engraçada que diz que todos os bebés são bonitos e lindos e fofinhos... Hmm, não acho verdade).
Mas além de todas estas "normas" politicamente corretas, existem também aquelas que estruturámos dentro de nós.
Por exemplo, para mim, um amigo de verdade não precisa de me ligar todos os dias, de mandar mensagens por tudo e por nada, mas tem de estar disponível quando preciso dele. Sendo que o inverso também acontece. Não falo diariamente com todos os meus amigos, mas se algum deles me ligar e perguntar (como às vezes acontece!) - Tens 5 minutos para me ouvir? - a minha resposta é inequivocamente sim, não importa o que esteja a fazer.

Quando uma amiga de faculdade, alguém que conheci há 20 anos me liga e me diz que temos de nos encontrar para beber um café, para lanchar, porque assim não pode ser, qualquer dia nem nos lembramos dos nomes uma da outra, fico com o coração cheio. Porque é verdade. Porque a conversa flui de um modo tão natural, tão despojado de salamaleques que parece que ainda na semana passada almoçámos juntas!

Depois não consigo deixar de sentir a diferença entre este tipo de amigos, que são de há milénios mas que a vida foi afastando, e outros mais recentes que se "esquecem" de perguntar sequer como estou.
Não são uns melhores do que os outros, as pessoas são diferentes e agem todas de formas distintas, mas cá dentro convencionei que uns são mais próximos e depois esta proximidade nem sempre se verifica.

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