quarta-feira

The Long Road




Há uns tempos, decidi que ia afastar-me de situações e pessoas que me puxam para baixo, que me fazem mal e me magoam; decidi que ia desvalorizar as coisas chatas e valorizar as boas. Foi uma boa decisão.
Naqueles momentos antes de adormecer, penso sempre no que podia ter feito melhor nesse dia, no que posso fazer melhor no dia que se segue e tenho verdadeiros diálogos com as pessoas que me enchem a cabeça e esvaziam o coração, diálogos esses em que digo tudo o que me apetece dizer, em que aponto o que me magoa e onde sou extremamente eloquente e assertiva.
Claro que são diálogos imaginários, porque depois quando tenho oportunidade de falar de viva voz com as pessoas fico acanhada, tenho vergonha - eu, a magoada - e tenho receio de melindrar quem não teve pejo em melindrar-me a mim.
Sou uma totó, porque ainda por cima, no fim fico a sentir-me mal por não ter conseguido ser mais direta, mais verdadeira, por não conseguir dizer aquilo que realmente queria.
Sou uma grande totó porque tenho medo de magoar quem me magoa. Tenho medo de ser mal educada para quem foi mal educado para mim.

Aquela cena do ser mais minha amiga também passa por aqui. Foi a minha intenção para este ano e estou a pô-la em prática, mas sinto que devia acrescentar uma sub-intenção ou qualquer coisa, para ficar parecido com: Este ano vou aprender a ser mais minha amiga SEM deixar que isso me faça sentir mal.

É um caminho longo.

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5 comentários:

gralha disse...

Em primeiro lugar, não és nenhuma totó, és uma grande querida.
Isso de ser assertivo na dose certa é uma arte muito difícil de dominar (eu costumo pender para o outro lado, que também me dá valentes arrependimentos). Parece-me que estás no caminho certo, mais curva, menos curva :)

Carla Isabel disse...

É um começo.Também faço isso.
Se fores catolica, eu sou, costumo, nas situações que me magoam e eu nao sei como resolver, entregar para Deus - acredita que ajuda muito - Ele saberá como te ajudar ;)

Beijinho

Ana. disse...

Querida és tu, senhora gralha!
Acredito que ser um pouco brusco de mais também seja coisa para causar grandes dissabores e embora menos frequente, também já o fiz, principalmente com pessoas de quem gosto muito (que são normalmente quem me apanha sem filtro e por isso mais "crua"...) É difícil, isto!

Ana. disse...

Carla Isabel, não sou religiosa, de todo. Não consigo ter esse espírito abnegado de entregar a Deus e às vezes tenho grande inveja (que é pecado, bem sei!) de quem consegue e de quem retira consolo da religião...

Raquel disse...

Não, não fui eu que escrevi porque de longe usar as palavras como tu, mas está tão certinho, tão certinho naquilo que sinto e queria dizer...que até assusta! Beijo