sábado

The Book Slayer!



No fight here! eBooks and physical books serve the same purpose but by different means - just like stairs and elevators, as pointed out by actor and author Stephen Fry.





Há dias falei com uma conhecida sobre livros, autores e literatura. Ela não sabia que sou tradutora e ficou muito espantada quando lhe disse que sou uma acérrima defensora dos e-books, de tablets e afins.
Ficou incrédula como é que eu, uma tradutora, uma pessoa que fazia dos livros a sua vida, conseguia lidar com o aspeto impessoal dos suportes digitais, como é que não me fazia falta a palavra impressa, o cheiro da tinta, do papel, o virar da página.
Ainda tentei explicar-lhe que o cheiro da tinta e do papel são mitos românticos que vêm dos tempos medievais, quando as tintas e papéis eram compostos orgânicos aromatizados com essências para apelar às senhoras da burguesia e nobreza que começavam a aprender a ler. Já sei que há um polímero natural qualquer no papel que faz com que, com o tempo, os livros tenham um cheiro semelhante à baunilha, mas para mim o cheiro do papel é quando muito bafiento e empoeirado, potenciando as minhas cada vez mais ferozes alergias.
E quanto ao virar da página, bem, o meu e-reader também vira a página, só que é uma coisa silenciosa, sem vincos e que não exige que amasse a lombada do livro para ele ficar na página que estou a ler!
E já nem vale a pena falar do peso dos livros.
Vamos lá a ver, para mim, um livro de 700 páginas não é uma tortura, é uma maravilha, um motivo de alegria, algo que me enche de agradável antecipação pelo mundo que ali se vai desenrolar. Só não é grande notícia para os meus pulsos; é que 700 páginas (ou até 400 que é mais normalzinho) pesam bastante! Chego ao fim de 10 páginas e já não tenho posição.
Há uns meses comprei o livro do Joel Dicker, A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, em papel. Mais uma vez, fiquei para lá de entusiasmada porque eram 600 e muitas páginas. O entusiasmo durou 50 páginas. Não porque a história seja má, é na verdade bastante boa, genericamente falando, mas porque eu não podia literalmente com o livro! Acabei por comprar também o e-book, da mesma editora, edição em português, e li no iPad, que tem uns míseros 312 gramas!

Não acho que o advento dos e-books me vá deixar sem trabalho. Eu compro livros online, o resto das pessoas começará a fazer o mesmo. Se fosse dona de uma papeleira, de uma gráfica ou de uma fábrica de tintas, aí sim, estaria agora um bocadinho aflita. Mas sou só tradutora, o meu trabalho continua a ser necessário.

O que me interessa é ler, o que me cativa são as histórias, a linguagem, o autor, não o formato do livro.
Vai sempre haver quem prefira os livros em papel, vai sempre haver quem prefira os suportes digitais. É bom, há uma solução para todos os gostos. O que importa é que se leia!
Isto para mim é simples, bastante claro, mas não deixo de me divertir quando me consideram uma herege, uma livricida!
Se vissem a pilha de livros em papel que tenho para ler!!...




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E-reader vs book
Ahahahaha!


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3 comentários:

Melissinha disse...

Acho muito mais prazeiroso ler no Kobo, hoje em dia. Os pulsos agradecem deveras.

gralha disse...

Tinha escrito aqui um comentário muito democrático acerca do haver espaço para todos os gostos mas depois, puff!, isto deu erro, de modo que vou apenas dizer que ao menos o papel não crasha. E paciência se tenho de arranjar uma lupa porque já não consigo ler os caracteres impressos a Times New Roman 10.

M. disse...

Concordo plenamente e, como eu digo muita vez, o importante é ler. Se é em papel ou em e-book, é indiferente. Eu leio das duas formas, conforme vou encontrando as edições ou como me dá mais jeito, confesso que também pelo volume em número de páginas da obra.
:)

Beijinhos.