terça-feira

Ideias

Ohh, nice!


Acho que todo o tradutor que se preze devia ter alguns negócios em paralelo, produtos que usa muito e que podia ajudar a desenvolver, recebendo depois uma percentagem dos lucros (assim um pouco ao jeito dos bloggers que metem as mãos no fogo pelo creme A ou B e depois recebem um fornecimento de cremes vitalício ou dinheiro, ou ambos, que é o mais certo).

Eu, que sou tradutora estou muitíssimo disponível para participar na concepção de um teclado que não me leve à falência,
com teclas molinhas, planas, largas e silenciosas, que reajam ao toque de uma pena e não precisem portanto de força para imprimirem os caracteres nas imaculadas páginas brancas com que começo os meus dias.
É que não têm conta os teclados que já me passaram pelas mãos e o dinheiro que já gastei. Agora tenho um com cerca de dois meses, mas que faz muito barulho, as teclas insistem em mudar de lugar, por isso é frequente que me apareça pai quando quero escrever pão, ou mão quando quero escrever não. É chato. Pressinto-lhe uma reforma antecipada...

Da mesma forma, ofereço-me para estudos ergonómicos da cadeira ideal, que não seja muito inclinada e que permita outra postura que não a do Quasímodo, que tenha um assento fofinho e que não faça doer o cóccix ao fim de 3 horas, nem as pernas ao fim de 6. Pode ter rodas mas daquelas que não andam sozinhas, obrigando-me a estar constantemente a puxar a dita para a frente, porque o movimento ao fim de algum tempo afeta-me a lombar.

Mas mais importante do que isto, e até fazia esta colaboração pro bono, era uma porra de um software de reconhecimento de voz que funcionasse mesmo, que não me confundisse o ponto de ponto de ebulição com o ponto de ponto final. Que soubesse colocar o til nas nasais. Isso é que era qualidade de vida! Os meus dedinhos, pulsos e demais articulações agradeciam, embora as cordas vocais talvez se queixassem, mas enfim, não se pode agradar a toda a gente, não é?

Portanto, senhores dos teclados, das cadeiras e dos softwares, se me estiverem a ler, não deixem passar esta oportunidade. É que eu tenho ideias mesmo muito boas!
Agradecida!

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4 comentários:

Melissinha disse...

Mas achas que conseguias raciocinar a escrita em linguagem oral? Não sei se conseguia falar como escrevo, acho que ia estar constantemente a voltar atrás.

(hahahaha aí o reconhecimento de voz ia escrever NÃO, NÃO, NÃO É ISSO, APAGA! AAAAARGHHH, NÃO ESCREVAS, APAAAAAGAAAA :D)

Ana. disse...

Sim, Mel, até sai melhor!
Faço muitas vezes as minhas revisões em voz alta, precisamente para ver como soa.
E já trabalhei com um software de reconhecimento de voz, da Philips, mas que dava mensos erros, contrariando um pouco a intenção de facilitar o trabalho.
Pode ser que surja outro melhor, que os meus braços e ombros não aguentam mais vinte anos de escrita!...

gralha disse...

Eu só queria que as minhas colegas não estivessem sempre a gamar-me as canetas (sou pouco exigente em termos tecnológicos).

Amigo Imaginário disse...

O software não era mau, mas bom mesmo era poder experimentar comida! Que um tradutor passa muito tempo sentado, a teclar e a comer. :)