domingo

O Último


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Na sexta-feira à noite, estava numa festa de anos quando recebi a notícia de que o meu avô morreu. O meu último avô, que já era velhinho, que já não estava bem, mas era o meu avô, o pai do meu pai.
Fiquei tão gelada que só me apetecia desaparecer. Mas tinha sei lá quantas  pessoas do outro lado da família à minha volta, um aniversariante que não sabia da festa surpresa e que ainda não tinha chegado, uns Parabéns a Você para cantar, sorrisos para oferecer... e eu só pensava no meu pai, que devia estar triste, que tem o coração maltratado, que de há uns tempos para cá está ainda mais sensível e piegas do que nunca.
Eu fiquei triste por perder o meu avô, que era bem disposto, simpático e que recordo só com alegria, mas o meu pai perdeu o pai dele e eu queria deixar de pensar que um dia isso também me vai acontecer a mim.
Estou orgulhosa dele, porque se aguentou melhor do que eu pensava no funeral, mas isto é tudo uma valente merda.

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6 comentários:

Naná disse...

Podes crer que é mesmo uma valente merda! Custa horrores!

Mas o teu pai tem-te a ti e isso importa!

Muita força para ti e para o teu pai!
Abraço apertado

gralha disse...

Oh, querida Ana... Um grande abraço.

Amigo Imaginário disse...

Beijinhos...

Joanissima disse...

O mal do google reader ter ido para o espaço e ter, no trabalho, uma internet de cocó, é que não vejo as coisas a tempo.

Pega um abraço quentinho e caloroso, cheio de carinho.
É uma merda mesmo. Mesmo.

Carla Isabel disse...

:(..eu ja perdi os meus dois avôs..tenho ainda a minha avozinha, que já tem 82 anos mas é uma bem disposta!
Beijinho

Ana. disse...

Obrigada, meninas, muito obrigada.
:)