terça-feira

Cecília




Estava aqui a ouvir uma música da Katty Perry que diz qualquer coisa como "You are like an angel" e pensei que este ano há uma série de anjos a mais.

Nunca fui muito de matutar nas questões da morte, da vida para lá dela, se existe ou não, se faz sentido ou não, mas sempre ouvi dizer que quando uma pessoa morre, é um anjo mais que fica a velar por quem a amava. Desde pequena que esta teoria me conforta muito, por muito incongruente que seja com a minha visão da religião; sou como toda a gente, cheia de contradições e incongruências.

Ainda a música ia a meio quando li a mensagem da Melissa a dizer que a Cecília morreu. A Cecília é prima da Melissa, era pequenina e andou a tentar fintar uma doença absurda durante muito tempo. Como tantas outras ironias e injustiças deste mundo de merda, desta vez a Cecília ganhou um lugar noutro mundo, e a partir de agora vou pensar nela como mais um anjo.

É neste ponto que me revolto, que vou buscar todas as críticas e mais uma ao Deus, ou sei lá a quem, que manda nisto. Quando me conseguirem explicar o propósito de um Deus que deixa morrer crianças, que deixa arrastar o sofrimento, que deixa viver gente reles e má, para levar crianças; quando me conseguirem explicar isto de uma forma lógica e coerente, sem lirismos, nesse dia sou capaz de acreditar que esta coisa que se construiu à volta de um mito e que pretende justificar tudo o que acontece na vida faz algum sentido.

Até esse dia chegar, revolta-me saber que há
crianças doentes, a morrer, a partir cedo de mais, ainda que seja para ganhar asas.

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