quarta-feira

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Eu tenho sonhos muito estranhos, violentos, macabros até.
Sonho que as pessoas morrem, são mortas ou se matam.
E se isto é terrível quando mete sangue (normalmente rios de sangue), o que mais me impressiona enquanto estou a sonhar é o peso emocional, a tristeza que sinto durante os sonhos. É tão esquisito, tão esquisito, porque às vezes, no sonho, até penso que estou a sonhar e que quando acordar vou perceber que não passou tudo de um pesadelo, mas enquanto lá estou metida, as sensações são tão fortes, tão dolorosas e tão sinistras que acordo quase sempre a chorar e sem conseguir respirar.
São sensações que não me largam durante o resto do dia e que me comprimem um bocadinho o peito.
Já não têm conta as vezes que sonhei que o Nuno tinha morrido, de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Mas desta vez foi um perfeito desconhecido que se enforcou com uma gravata. E, no sonho, eu só pensava: Mas que cobarde. Como é que ele se foi matar se tem três filhos pequenos? Fiquei tão triste pelos filhos dele, tão desorientada sem saber o que ia fazer a mulher dele que, de manhã, fui ver se havia notícias da morte dele.
Claro que não, e ainda bem.
Fico aliviada!

Dizem que sonhar com a morte de alguém é dar anos de vida.

A mim tira-me é horas de sossego...

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