quinta-feira

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Sou por natureza uma pessoa assim um bocadinho desbocada.
Falo com frequência antes de pensar no que estou a dizer e já me arrependi muitas vezes de o fazer.

Há alguns anos (dois, três?) que a intenção de pensar antes de falar faz parte daquela lista inútil, absurda e de vida efémera que faço no início de cada ano. Porém, a pouco e pouco lá vou conseguindo habituar-me a pensar antes de falar e até (pasme-se) a guardar algumas coisas só para mim.
Mas se isto é de certa forma uma conquista, por outro lado há poucas coisas que me irritem mais do que ter de andar com pezinhos de lã à roda das pessoas, ter de pensar em cada palavrinha, não vá ser mal interpretada e melindrar alguém mais suscetível (que não é mais do que o termo bonito para piegas, coninhas - em bom português).

Não gosto de ter de "auto-censurar" palavras e ideias só porque podem não agradar a toda a gente. Não gosto de ter de pensar nelas e tentar perceber se a forma como me saem da boca é a mesma com que chegam aos ouvidos dos outros ou se, pelo contrário, sofrem alguma metamorfose pelo caminho.
Não gosto, sobretudo, quando as pessoas ouvem palavras ou significados que eu não digo e nos quais não pensei.

E cheguei a uma conclusão (este ano está a ser pródigo em conclusões brilhantes!): Sim, sou responsável pelo que digo, mas não tenho, não quero ter, não admito ter, responsabilidade naquilo que os outros ouvem e na forma como o interpretam.

Estou farta de tentar ser politicamente correta.


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3 comentários:

gralha disse...

Como te compreendo... Se te serve de consolação, a mim podes dizer-me tudo, sem papas na língua.

Ana. disse...

Ohh! A ti só tenho coisas boas para dizer, tal é o piadão que te acho!
;)

Naná disse...

Bolas, se tens que ser politicamente correcta com essas pessoas, se calhar é melhor nem perderes tempo e energia com elas mesmo...

Já pensaste que essa malta poderá ter um complexo qualquer e invocam má audição?!