terça-feira

Descartável



Ultimamente tenho vindo a aperceber-me como esta sociedade se orienta cada vez mais para uma natureza descartável.
O senhor que me arranjou a máquina da loiça disse-me há uns tempos: Ó menina, agora já não se fazem máquinas para uma vida. Agora as máquinas duram no máximo cinco anos. Também ouvi alguém dizer, já não me lembro onde: Ai, cá eu não remendo meias. Quando umas se estragam, compro outras.
E eu, que precisei de umas pantufas, fui comprá-las à Primark porque são baratas e quando se estragarem compram-se outras...
O pior é que esta noção não se aplica só a coisas, mas também se transfere às pessoas.
Ah, não és igual a mim, não te adaptas completamente à minha pessoa, não concordas comigo em tudo, não és tudo o que queria que fosses? Então prefiro procurar outro amigo/amiga/namorado/companheiro/marido...

Parece que já ninguém tem vontade de reparar as coisas; parece que ninguém sabe que às vezes é melhor consertar do que substituir.
E aterroriza-me a possibilidade de ser, também eu, descartável para alguém.

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3 comentários:

Princesa Tagarela disse...

Vivemos numa era em que tudo acontece com uma velocidade estonteante. Mas eu que sou assim como sabes....tenho para mim que ainda existem, talvez não coisas, mas pessoas que são para sempre!!

;)*

Melissinha disse...

Os novos tempos têm isso. Já viste o Up in the Air, com o George Clooney? É um hino ao que de mais nefasto tem esses desapegos atuais.

Naná disse...

Não acredito que sejamos assim tão descartáveis... pode dar essa sensação, mas não há nada como uma gargalhada partilhada, um abraço sentido e um diálogo ao vivo e a cores!