segunda-feira

Precisamos de Outro 25 de Abril...





As dificuldades por que as pessoas estão a passar assustam-me. As reportagens que vão passando na televisão são tão reais e cruas que me deixam com o coração apertado (ainda não consegui deixar de pensar naquela rapariga que vai ao contentor do lixo buscar roupa para o filho e o mais que se puder aproveitar... é tão triste, tão degradante e tão injusto - tanto quanto as crianças que vão para a escola com fome, porque os pais não têm pequeno-almoço para lhes dar). Isto deixa-me revoltada, angustiada com uma sorte que não é a minha, faz-me sentir de braços atados e a temer que os donativos que vou fazendo para o Banco Alimentar, para a Caritas, para a Cruz Vermelha e sei lá mais o quê, não cheguem para nada, porque são uma gota minúscula no oceano de fome e pobreza que cada vez mais se sente no nosso país.

Todas as pessoas deviam ter a oportunidade, as condições para se bastarem a si próprias. Ninguém devia precisar de caridade, da ajuda alheia para pôr comer na mesa.

Estou farta de tecnocratas, de ideólogos, de palavras vazias e projeções, números e estatísticas. Apetece-me bater à Jonet por dizer que é mais correto falar em carências alimentares do que em fome. Não importa o nome que se lhe dê, se as crianças não comem o suficiente, se desmaiam nas aulas, se comem uma única refeição por dia, passam fome!
Não é com palavras, com metáforas e considerações inúteis que se resolvem as coisas.

E só pergunto: quem é que anda de olhos fechados? Quem, dos membros do governo, não vê notícias, não vê reportagens, quem anda alheado de uma realidade que é cada vez mais gritante?

Como é que isto é possível?
Como é que isto se resolve?

Ninguém faz nada?

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1 comentário:

Naná disse...

Infelizmente estou cada vez mais convicta de que os membros do governo nem sequer querem saber o que se passa além das paredes ministeriais...