sexta-feira

Queria Ser Rebelde



Paguei ontem a Segurança Social. Sim, pago sempre no último dia.
Dói-me pagar aquilo. Sei que é uma obrigação minha, mas pago muito.

- Ah, se pagas muito é porque recebes muito - dirão alguns.

Não recebo assim tanto e a verdade é que trabalho que me farto.
Aliás, trabalho desproporcionalmente em relação ao que ganho, porque se há actividade que cada vez é menos bem paga é a tradução literária. Os preços desceram, minha gente, e diz que a culpa é do mercado e da crise. (E ainda assim continuo a rezar para que o trabalho continue.)

Custa-me andar a pagar sem saber para onde vai a minha contibuição mensal. Sei que não vai chegar à minha reforma, e mata-me pensar que está a ser canalizada para a pensão/reforma de algum administrador barrigudo. Ou para o RSI dos parasitas da sociedade que não fazem nada para o merecer.

Queria armar-me em rebelde e não pagar, pronto!
Mas depois o que acontecia? Penhoravam-me a casa (que não é minha)? Ia presa?
E se todos deixássemos de pagar? A SS falia ainda mais depressa? Acabava-se de vez a garantia de reforma e subsídio de desemprego?

Continuamos a pagar, é o que é...

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2 comentários:

gralha disse...

É das coisas que sempre me revoltou, o regime de Segurança Social dos trabalhadores independentes. É muito, muito injusto.

Melissinha disse...

É absurdo. Absurdo!