terça-feira

O Que Queremos vs O que Podemos Fazer




Para onde quer que olhe, vejo pessoas sem emprego.
Nos amigos, na família, no Facebook, nas notícias - em todo o lado.
Também não sei onde desencantar oportunidades de emprego para toda a gente, e deus* me livre de ter de passar também por este flagelo, mas se é verdade que se impõe uma mudança na organização da nossa sociedade e do país, também é verdade que a mentalidade das pessoas tem de começar a mudar para se conseguir fazer face às dificuldades.
Compreendo que quando alguém estuda, quando se tira um curso, seja superior ou não, é porque se gosta de determinada área de formação ou se quer apostar em determinada carreira. Nada contra - aliás, foi isso que fiz ao mudar de curso e voltar para o primeiro ano: tinha encontrado aquilo que queria fazer e achei que valia a pena o retrocesso.
Também sei que quem estuda investe muito tempo, esforço e dinheiro e fá-lo com o objectivo de capitalizar mais tarde sobre todo este investimento.
Mas numa altura em que os empregos não abundam e as pessoas têm de procurar dentro de si maneiras de ultrapassar a crise, custa-me entender aqueles que se recusam a procurar trabalho fora da sua área de formação. Sei que o nosso emprego, a nossa vocação ajuda a definir-nos enquanto indivíduos, que o ideal seria que todos trabalhassem naquilo que mais lhes dá prazer e na área em que são mais capacitados.
Eu destestaria ter de fazer outra coisa que não tradução, que é o que amo fazer, aquilo em que sou boa, mas quando decidi mudar de curso e recomeçar do zero, arregacei as mangas e fui trabalhar para a caixa de um supermercado. Não vou dizer que amei, que foi o emprego da minha vida, que me preenchia intelectualmente. Nada disso. Mas foi o que me permitiu estudar, ter a minha primeira casa com o Nuno e cumprir com as minhas responsabilidades. Apesar de tudo, foi uma fase tão boa! Os meus dias começavam bem cedo com as aulas e às seis e meia, muitas vezes depois de sete ou oito horas de aulas, ia trabalhar até às onze e meia da noite. Foi muito difícil manter este ritmo durante quatro anos, mas de certa forma, acho que me preparou para as dificuldades.
Já sei que eu sou apenas eu, não pretendo ser um exemplo para ninguém, mas gostava de passar a mensagem de que nem tudo nos cai no colo, que é preciso fazer sacrifícios, concessões e por vezes engolir um pouco o orgulho.
Tudo em prol de um futuro menos cinzento.


*Que rica coisa para sair da boca (dos dedos) de uma agnóstica!

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1 comentário:

Naná disse...

Plenamente de acordo contigo!

Não precisei recomeçar, mas tive que me requalificar e finda a licenciatura fiz uma especialização numa área totalmente díspar. Essa sim permitiu-me a integração no mercado de trabalho. Depois fiz mais outra porque percebi que o mercado de trabalho em que estava tinha os anos contados (acho que tive um surto de futurologia, sendo que o futuro é o presente negro) e fui progredindo.
Mas se um dia me ver sem emprego, nem que tenha que ir para uma café servir à mesa, até conseguir chegar onde quero!